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Energias renováveis mantiveram casas portuguesas quentinhas em dias de consumo recorde

Energias renováveis mantiveram casas portuguesas quentinhas em dias de consumo recorde

Quando Amália Rodrigues canta uma “Casa Portuguesa” há um momento no refrão em que as guitarras param e a diva canta à capela dois versos: “uma promessa de beijos, dois braços à minha espera”.
Este momento retrata o regresso ao lar de milhões de portugueses; o desejado retorno a casa após dias cansativos, por vezes, frustrantes; o desejo de voltar a estar com os mais próximos; o bater a porta da rua e deixar os problemas lá fora.
Em dias de frio, a expressão ‘calor do lar’ assume novos contornos, com os portugueses a ligarem mais o aquecimento para maior conforto térmico.
Foi com a temperatura a descer que houve um disparo no consumo de eletricidade. Nunca se consumiu tanta eletricidade, como por estes dias, com novos máximos a serem atingidos consecutivamente nos dias 6, 7 e 8 de janeiro, segundo os dados da REN – Redes Energéticas Nacionais. O recorde anterior datava de 13 de janeiro de 2021.
Existe uma hora que é especialmente crítica: 19h45. Pela nação fora, os 10 milhões de portugueses preparam jantares, dão banhos aos miúdos e os aquecimentos estão a bombar nos lares de todo o país, com muitas casas pouco preparadas para temperaturas mais baixas. O disparo no consumo também demonstra que os equipamentos a eletricidade têm vindo a crescer no lar dos portugueses para efeitos de aquecimento.
Esta análise foca-se no consumo recorde eletricidade nestes dias mais frios, mas é preciso não esquecer outros meios importantes para combater a descida de temperatura: as caldeiras a gás, a gasóleo, lenha, pellets, mas também estufas de gás de garrafa, que ajudam os portugueses a aquecerem as casas nesta altura.
Posto isto, qual é que foi a eletricidade que alimentou a fúria consumidora dos portugueses? As energias renováveis são as heroínas silenciosas destes três dias de consumo intensivo de eletricidade, tanto durante o total do dia, como durante a hora de ponta (pico de consumo).
Olhando para a fita do tempo, no dia 6 de janeiro, terça-feira, a ponta foi atingida pelas 19h45 com mais de 10 mil megawatts (MW), sendo também um novo recorde, com o anterior a datar de 12 de janeiro de 2021, pelas 19h30.
Neste dia foram consumidos 186 gigawatts hora (GWh). A produção de energia renováveis abasteceu mais de 60% do consumo diário em Portugal, com a energia eólica em destaque, a pesar 28%.
Durante a hora de maior consumo, a produção renovável atingiu mais de 8.600 MW, com a hídrica a liderar com mais de 6.000 MW. Durante este período, as compras a Espanha atingiram 4.300 MW. Já o gás natural atingiu os 1.300 MW.
No dia seguinte, quarta-feira 7 de janeiro, foi atingido novo recorde: 188 GWh. O consumo de ponta superou os 10 mil MW pelas 19h45.
Durante o dia, a produção renovável abasteceu mais de 60% do consumo, com a eletricidade produzida a partir das barragens e albufeiras a pesar 40%.
Durante a ponta com um consumo de 10 mil MW, a produção renovável superou os 7.500 MW, com destaque para a hídrica (6.400 MW). As compras a Espanha atingiram 3.300 MW, com a produção de gás natural a atingi os 1.400 MW.
Avançando para quinta-feira, 8 de janeiro, Portugal volta a bater o recorde de consumo de eletricidade pelo terceiro dia consecutivo: 192 GWh. A ponta foi atingida novamente pelas 19h45: mais de 10 mil MW.
Durante este dia, a produção de energias renováveis abasteceu mais de 70% do consumo, com a hídrica a liderar: 34%.
Na hora de ponta, a produção renovável atingiu os 9 mil MW, com a hídrica a pesar 5.000 MW e a eólica 4.000 MW. O gás natural atingiu os 1.100 MW. Já as compras a Espanha superaram os 3.400 MW.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) anunciou no dia 4 de janeiro ter colocado sob aviso amarelo nove distritos de Portugal continental devido ao tempo frio e à persistência de valores baixo da temperatura mínima.
Os distritos são: Bragança, Viseu, Guarda, Vila Real, Castelo Branco e Portalegre entre as 00:00 de segunda-feira e as 09:00 de quarta-feira, bem como Évora, Beja e Faro entre as 00:00 de terça-feira e as 09:00 de quarta-feira, segundo a “Agência Lusa”.

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