Ruben Amorim foi engolido pela máquina de autodestruição do Man. United
Ruben Amorim foi vítima da sua própria ambição. Assim se explica a decisão drástica do Manchester United em despedir o treinador português de 40 anos que era apresentado há 14 meses como o homem certo para devolver a glória ao gigante adormecido de Old Trafford.
Fiel ao seu sistema tático e à sua ideia de jogo, Ruben Amorim acabou dispensado pelos responsáveis do clube, que tanto olham para o passado em busca de uma fórmula baseada em Sir Alex Ferguson.
No entanto, estes mesmos responsáveis do Manchester United continuam a ser apenas o espelho real do atual estado em que está o clube que já foi visto como o mais temido de Inglaterra.
Desde a saída do treinador escocês, em 2013, que Old Trafford se transformou num autêntico ‘cemitério de treinadores’. Nenhum deles conseguiu ser bem-sucedido ao ponto de merecer uma oportunidade (real) para mudar as coisas e adaptar o United aos tempos de hoje.
A máquina de autodestruição do Manchester United está montada e neste momento parece imparável rumo ao abismo. Para tal contribui, de forma direta e indireta, o exército de antigos jogadores que não tendo sucesso nas respetivas carreiras de treinadores dedicam-se ao escrutínio daqueles que arriscaram mostrar o talento fora das quatro linhas.
Ao longo dos últimos meses o mundo assistiu aos comentários mordazes de Gary Neville, Wayne Rooney, Roy Keane, Paul Scholes ou Rio Ferdinand sobre o trabalho de Ruben Amorim no Manchester United. As opções táticas do treinador luso estiveram sempre longe de agradar e o constante olhar para o passado – esse mal que se entranhou no clube – era apenas mais um sintoma de que esta aventura de Amorim em Manchester dificilmente teria sucesso.
Não foi por acaso que Ruben Amorim visou diretamente Gary Neville na última (e explosiva) aparição pública como treinador do Manchester United. A direção dos red devils está demasiado preocupada em ouvir os rostos do passado ao invés de tentar olhar para o futuro e perceber que o United já não é o que era. Apenas os museus vivem do passado.
Em 2026, o Manchester United está fora do novo formato da Liga dos Campeões e já não tem o efeito sedutor por entre os maiores jogadores de futebol do mundo.
Nos tempos de Alex Ferguson o clube de Old Trafford era capaz de contratar os melhores jogadores da Premier League. Neste momento isso pura e simplesmente não acontece. Nenhum jogador quer ir de um Brighton para o Manchester United. Apenas como solução de recurso e depois de esgotadas todas as outras possibilidades. Basta olhar para o caso recente de Antoine Semenyo, alvo desejado do United que acabou no rival City.
Ruben Amorim deixou o Manchester United no sexto lugar da Premier League e apenas três pontos atrás do campeão em título Liverpool, que à data era quarto classificado. Isto sem poder contar, nas últimas rondas, com Bruno Fernandes, Mason Mount, Bryan Mbeumo ou Amad Diallo, todos eles figuras de proa no Manchester United.
O plantel do Manchester United já era inferior aos dos rivais e ao de grande parte das equipas da Premier League e, ainda assim, o treinador português estava a conseguir manter-se na luta pelo top4.
Mas não foi pelos resultados que o United despediu Ruben Amorim. Foi pela ousadia de querer mudar um clube que está preocupado apenas com o seu próprio umbigo. Um clube liderado por pessoas que preferem despedir um sem número de trabalhadores para reduzir encargos, mas que gastam milhões e milhões em indemnizações pagas a treinadores que não conseguem replicar o efeito Ferguson. Um clube que deixou cair Old Trafford aos pedaços (literalmente) antes de anunciar a construção megalómana de um novo estádio.
Ruben Amorim foi despedido do United poucas semanas depois de Sir Jim Ratcliffe ter afirmado publicamente que o português teria três anos para implementar o seu projeto. No entanto, na hora de dar uma prova de confiança ao manager português, Ratcliffe optou por dar ouvidos a Jason Wilcox, diretor desportivo que agora, pasme-se, quer trazer de volta Ole Gunnar Solskjaer ou Michael Carrick, mais dois antigos jogadores que como treinadores ainda não ganharam nada.
O Manchester United continuará de costas voltadas para o sucesso enquanto os responsáveis continuarem a tentar encontrar alguém disposto a seguir escrupulosamente o guião de Ferguson e não um treinador que tente criar uma base sólida para dar a volta à crise.
Quanto a Ruben Amorim fica a dúvida de qual será o seu próximo passo. Se opta por ficar em Inglaterra, onde certamente terá as portas abertas, ou se voltará a Portugal para dar um passo atrás e daqui a pouco tempo conseguir dar, quiçá, dois à frente. Tudo vai depender da ambição de Amorim na hora de apanhar o próximo comboio.
Não passaram de sonhos. Os jogadores que Amorim nunca recebeu no United
De Pedro Gonçalves a Gyokeres, foram vários os jogadores que estiveram na lista de desejos de Ruben Amorim. Falta de fundos e desacordo com o modelo tático implementado levaram a direção do Manchester United a não avançar por muitos deles.
Notícias ao Minuto | 08:12 – 10/01/2026
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