BNP Paribas antevê que BCE mantenha taxas até 2027 seguindo-se novo ciclo de subidas
Na análise que o BNP Paribas faz à conjuntura macroeconómica e às decisões de política monetária na Zona Euro, o banco antevê que O BCE mantenha as taxas de juro até 2027 e que inicie a partir daí um novo ciclo de subidas.
A análise realizada pela equipa de Markets 360 do BNP Paribas sobre as perspetivas para o BCE e a dinâmica da inflação até 2027, revela que o cenário europeu prepara-se para uma inversão de ciclo: após um período de desinflação em 2026.
Os analistas preveem uma fase de “reflação” em 2027.
Entre os pontos-chave da análise está a inversão do ciclo de juros. O BNP tem como previsão central que o BCE mantenha as taxas inalteradas após um corte no verão de 2025, iniciando um novo ciclo de subidas no 3.º trimestre de 2027, elevando a taxa de depósito de 2,00% para 2,50%.
Sobre o impulso fiscal e de defesa, o BNP diz que este cenário é impulsionado pelo aumento do gasto público, liderado pela Alemanha, e pelo investimento europeu em defesa, que deverão elevar o crescimento do PIB acima do potencial, gerando um “sobreaquecimento” da economia a partir de 2027.
No que toca à energia, para 2026, o BNP prevê um alívio temporário com os preços do petróleo Brent a poderem cair para os 51 dólares/barril no segundo trimestre, influenciados por mudanças na produção na Venezuela e o impacto de tarifas globais.
Os analistas do BNP dizem que “esperamos que os gastos alemães, somados aos gastos com a defesa em toda a Europa, impulsionem o crescimento do PIB da zona euro acima do potencial, com o hiato do produto a tornar-se positivo a partir de 2027” e que “o mercado de trabalho já apresenta sinais de aperto e os salários estão novamente sujeitos a negociações em alta, o que provavelmente elevará a inflação dos serviços numa margem significativa”.
Além disso, como tende a ocorrer num contexto de crescimento optimista, “prevemos que as empresas aumentem os preços para ampliar as suas margens de lucro comprimidas, e suspeitamos que os governos estarão inclinados a aumentar os impostos sobre o consumo, que ainda estão comprimidos após a crise energética”.
“A nossa distribuição da inflação para os próximos 12 meses mostra uma assimetria à direita mais acentuada do que a do BCE, enquanto o nosso quadro da regra de Taylor prescreveria dois ou três aumentos em 2027”, revela o BNP.
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