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Martínez não descarta Cristiano Ronaldo no banco: “Tomar decisões…”

Martínez não descarta Cristiano Ronaldo no banco: “Tomar decisões…”

O selecionador nacional Roberto Martínez concedeu, esta segunda-feira, uma extensa entrevista à estação televisiva ESPN Brasil na qual, entre outros temas, avaliou as possibilidades da seleção portuguesa conquistar o Mundial no verão deste ano, que vai decorrer no Canadá, Estados Unidos da América e México.
 
“O que falta é o que nós vamos fazer durante os três primeiros jogos do Mundial. Porque, agora, estamos apurados, mas só temos três jogos. E é isso que precisamos de controlar bem, os três períodos de 90 minutos que nós temos. Porque acredito muito que uma equipa fazer um bom torneio, ganhar o Mundial, envolve o que acontece durante esses três jogos. A equipa cresceu muito com os jogos do passado, com o que aconteceu na fase de preparação para o Europeu, durante o Europeu e, depois, o aspeto de ganhar a Liga das Nações da UEFA no seu formato mais exigente. Acho que é uma caminhada que faz parte da preparação da nossa equipa para o Mundial. Mas a preparação certa vai ser durante os três primeiros jogos do Mundial”, começou por dizer o treinador espanhol.
Martínez não colocou Portugal como candidato à vitória final na prova, mas como um dos favoritos a levantar o troféu.
“Favorito, não. Candidato, sim. Porque, no Europeu, só há quatro seleções que estiveram em todas as competições importantes desde o ano 2000: Alemanha, Espanha, França e Portugal. Então, estamos no patamar certo para aceitar a responsabilidade, a exigência, a expectativa dos adeptos. Isso é ser candidato. E acredito muito na nossa atitude, em nossos valores como equipa”, sustentou.
“Acho que, para ser favorita, a seleção precisa já ter sido campeã mundial, porque há um aspeto psicológico nisso. Vai ser o meu terceiro Mundial, e acredito muito que o aspeto psicológico é muito importante para ser competitivo durante o Mundial. E só há oito seleções, durante 92 anos de Mundiais, que ganharam a competição. E acho que são esses exemplos, de gerações antigas, que preparam psicologicamente o balneário para poder ganhar o Mundial com a palavra ‘favorito’. Acho que seleções como a Argentina, como o Brasil, que estão num bom momento, são candidatas, mas têm o passado, a história que fazem a candidata ser favorita. Alemanha, Espanha, França, são seleções que são candidatas pelo momento em que estão”, acrescentou.
Roberto Martínez falou ainda do papel de Cristiano Ronaldo na seleção. O selecionador não respondeu diretamente à hipótese de deixar o capitão no banco, como já aconteceu, mas reforçou a ideia de que tomar decisões complicadas faz parte do papel da equipa técnica.
“O Cristiano Ronaldo, que chegou à seleção, há 21 anos, não é o mesmo Cristiano de agora. Agora, é um jogador muito mais de posição, de ponta de lança. É um jogador que, para nós, é um finalizador. É o melhor marcador da história. Então, ter um jogador que, agora, está com 25 golos nos últimos 30 jogos da seleção, é um presente. É o agora, não estamos a falar do que o jogador fez há 10 anos. Então, para mim, é muito importante o compromisso dele. É o único jogador do mundo que tem mais de 220 internacionalizações. Com a experiência do Cristiano Ronaldo, ter o compromisso que ele tem… Ele é um exemplo. E é um jogador que contagia o balneário”, salientou o espanhol.
“Em campo, é um finalizador, que atrai marcações durante o jogo e abre espaço; e, para nós, esse é um aspeto muito importante, também com toda a experiência que ele consegue transmitir aos jogadores. Defeito? Acho que o defeito de um jogador, no geral, é quando não há compromisso, quando há falta de atitude. Então, um jogador sem compromisso, sem atitude, não é chamado para a seleção. (…) Cristiano no banco? Faz parte do meu trabalho. O mais importante é que a seleção ganhe, que a seleção esteja mais forte que o adversário. Isso é minha responsabilidade e também da equipa técnica. Tomar decisões difíceis faz parte do nosso trabalho”, destacou o treinador.
Roberto Martínez abordou ainda a morte de Diogo Jota e do irmão André Silva.
“É uma tragédia muito, muito difícil. O Diogo Jota é um estímulo, uma força, um aspeto de união dentro do balneário. E de foco. Queremos fazer o que o Diogo Jota acreditava, que era: ‘Podemos atingir tudo aquilo pelo qual lutamos’. E é uma força que faz parte daquilo que construímos. A equipa que nós construímos foi com o Diogo Jota e vai continuar a ser”, finalizou.

“Cristiano Ronaldo é um ícone mundial, mas não limita o nosso trabalho”
O selecionador português, Roberto Martínez, assume que Cristiano Ronaldo é um “ícone do futebol mundial”, mas rejeita que esse estatuto venha a ter peso nas decisões que terá de tomar durante o próximo Campeonato do Mundo.
Lusa | 06:20 – 11/01/2026

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