DBRS vê infraestrutura como um dos motores do investimento em 2025
A DBRS vê no sector das infraestruturas um dos principais motores do investimento na Europa em 2026, sobretudo dada a necessidade de transição energética e digital no Velho Continente, uma dinâmica acelerada ainda pela área dos transportes e infraestrutura social.
O Outlook para a infraestrutura europeia em 2026 é considerado positivo pela agência financeira canadiana, que destaca estes quatro setores como os que mais deverão beneficiar do ambiente favorável esperado para este ano. Por outro lado, a incerteza que domina a economia global, sobretudo fruto da invasão russa da Ucrânia e do ciclo inflacionista.
A transição energética será um dos fatores fulcrais nesta tendência, projeta o relatório, embora neste momento os investimentos na área não sejam suficientes para atingir as metas estabelecidas. Os mais de 200 mil milhões de euros de anuais de investimento não só significam mais dificuldades para atingir os objetivos, como deixam os EUA à frente da Europa em termos anuais, destaca a DBRS.
A favor do Velho Continente estão os preços estruturalmente mais elevados da energia no mercado europeu, que incentivam o investimento estrangeiro, bem como a presença e difusão das renováveis.
No capítulo digital, os centros de dados serão os principais motores, sobretudo dado que estes terão de triplicar até 2030 e a rede continua pouco desenvolvida. Grandes centros como Londres, Amesterdão ou Paris já enfrentam constrangimentos de capacidade que obrigarão a avultados investimentos nos próximos anos, o que resultará em retornos consideráveis e fará destes ativos cada vez mais uma presença nos portfólios de investimento.
Também nesta área, as redes de fibra levarão parte considerável do investimento que chegar à Europa, bem como as antenas de telecomunicações.
Já nos transportes, a necessidade de descarbonizar e melhorar a sustentabilidade estão a motivar o grosso dos investimentos, embora haja outras prioridades: a conetividade tem de ser melhorada, a resiliência da rede também e a interoperabilidade é uma das palavras de ordem.
Com a importância das parcerias público-privadas, que assumem um papel mais relevante na Europa do que nos EUA, o mercado europeu “é mais acessível para o capital privado, mas requer maior sofisticação a navegar os modelos de concessão e o enquadramento legal”.
Finalmente, no que respeita a infraestrutura social, o envelhecimento populacional, as necessidades de financiamento nos setores da saúde, educação e alojamento social e alguma necessidade de recuperar caminho desde a pandemia serão os fatores mais relevantes, remata o relatório. Neste capítulo, as carências de investimento chegarão aos 100 mil milhões anualmente até 2030.
Áreas como os cuidados de saúde privados estão a “ver cada vez mais investimento privado”, pelo que a DBRS argumenta que estes ativos se tornarão próximos “das utilities reguladas há 15 anos”, ou seja, com rendimentos de longa-duração pouco correlacionados com a prestação do PIB.
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