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Agentes de IA no setor financeiro podem gerar valor de 450 mil milhões de dólares até 2028, segundo Capgemini

Agentes de IA no setor financeiro podem gerar valor de 450 mil milhões de dólares até 2028, segundo Capgemini

O setor financeiro está a atravessar uma metamorfose estrutural com a transferência de processos críticos para agentes de Inteligência Artificial (IA).
De acordo com o World Cloud Report in Financial Services 2026, publicado pelo Research Institute da Capgemini, bancos e seguradoras estão a abandonar a fase teórica para operacionalizar a IA em larga escala, prevendo-se que esta tecnologia gere um valor económico de 450 mil milhões de dólares até 2028. Para capitalizar esta oportunidade, 33% dos bancos afirmam estar a desenvolver os seus próprios agentes de IA internamente, enquanto 48% das instituições financeiras revelou estar a criar funções novas nas suas organizações para que os seus colaboradores supervisionem estes agentes.
Está assim a acontecer uma mudança estrutural profunda no setor financeiro em 2026, marcada pela transição da Inteligência Artificial (IA) tradicional para a IA Agêntica (agentes de IA autónomos).
As instituições financeiras estão a migrar ativamente processos essenciais centrados no cliente para agentes de IA, o que indica uma rápida transformação na interação dos clientes com os bancos e as seguradoras.
Segundo o World Cloud Report in Financial Services 2026 do Research Institute da Capgemini, os principais processos em que os bancos pretendem implementar agentes de IA cloud-native em larga escala incluem o atendimento ao cliente (75%), a deteção de fraudes (64%), o processamento de crédito (61%) e o onboarding de clientes (59%).
Nas seguradoras verificam-se as mesmas tendências, com o atendimento ao cliente também no topo (70%), seguido da subscrição de riscos (underwriting) (68%), do processamento de sinistros (65%) e do onboarding (59%). Estas mudanças espelham uma redefinição coletiva do que significa ser cliente de serviços financeiros.
Apesar do entusiasmo, o estudo revela um hiato na execução: embora 80% das empresas estejam em fase de projeto-piloto ou ideação, apenas 10% já implementaram agentes de IA em larga escala.
Ravi Khokhar, Diretor Global de Cloud para Serviços Financeiros da Capgemini, refere que a integração de IA e cloud permite aos bancos e às seguradoras tirar partido dos agentes de IA para um serviço ao cliente melhorado com maior precisão, velocidade e impacto.
A infraestrutura tecnológica também está a mudar. A “nuvem” deixou de ser um mero depósito de dados para se tornar o cérebro das operações. Atualmente, 61% dos responsáveis consideram a orquestração baseada na cloud como crítica para operacionalizar a IA com rapidez.
Em termos de impacto económico, cerca de dois terços dos gestores já canalizam até 40% do seu orçamento de IA Generativa especificamente para agentes de IA.
Para contornar os elevados custos de implementação, 25% das empresas planeiam adotar o modelo service-as-a-software nos próximos 18 meses, onde o pagamento é feito por resultados (ex: fraudes resolvidas) e não por licenças.
Além da eficiência, os benefícios apontados são a expansão geográfica, pois 92% acreditam que a IA facilitará a entrada em novos mercados sem grandes custos de infraestrutura física; as ofertas dinâmicas, já que 79% preveem que a IA permitirá preços personalizados em tempo real; e o suporte multilingue, pois 75% veem na tecnologia uma solução para adaptar o suporte às normas culturais e regulamentações locais.
Nem tudo é um caminho livre. O setor enfrenta dois obstáculos transversais. Por um lado a falta de competências (92%), por outro a complexidade regulatória (96%). Para mitigar estas falhas, 48% das instituições estão já a criar novas funções internas para que os colaboradores humanos possam supervisionar e trabalhar em conjunto com os agentes de IA.

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