Leiria ganha 13% de novas empresas em 2025 mas insolvências sobem para 18%
O distrito de Leiria encerrou o ano de 2025 com sinais contraditórios. Se, por um lado, a constituição de novas empresas cresceu 13%, por outro, o aumento de 18% nas insolvências e a deterioração dos prazos de pagamento acendem sinais de alerta para a gestão financeira na região, segundo dados da Iberinform.
Com um valor agregado de 18.911 milhões de euros (um crescimento de 362 milhões face a 2024) — um acréscimo de 362 milhões face ao ano anterior o distrito mantém a sua força económica. No entanto, os números finais do ano revelam uma realidade de “duas velocidades”: enquanto o espírito empreendedor acelera, a mortalidade das empresas e as dificuldades de tesouraria ganham terreno.
No entanto, a estrutura é assimétrica: as microempresas dominam em número (85%), mas o verdadeiro pulmão financeiro reside nas pequenas e médias empresas (PME), que, apesar de representarem apenas 15% do universo empresarial, são as maiores contribuintes para a atividade global.
Segundo a Iberinform, embora as microempresas representem a esmagadora maioria do ecossistema o seu peso no volume de negócios global é reduzido. O verdadeiro músculo financeiro de Leiria rside nas empresas de média dimensão, que apesar de representarem apenas 1% do total, são fundamentais para a faturação da região, a par da Indústria, que continua a ser o setor que mais contribui para a riqueza do distrito, superando largamente os Serviços e a Construção.
A Indústria continua assim a ser o setor “peso-pesado” na faturação, contrastando com os Serviços, que, embora concentrem 40% das empresas, têm um impacto financeiro proporcionalmente reduzido.
Geograficamente, a concentração mantém-se: o concelho de Leiria lidera com 32% das empresas, seguido de Alcobaça (22%), Pombal (11%) e Caldas da Rainha (11%).
Um dos dados mais preocupantes do balanço da Iberinform prende-se com o comportamento de pagamentos. O prazo médio de pagamento das empresas de Leiria derrapou de 67 para 71 dias, o que indica uma gestão de compromissos mais difícil. Em contraste, o prazo de recebimento estabilizou nos 65 dias.
Este cenário reflete-se no risco de incumprimento: uma em cada cinco empresas do distrito apresenta um nível de risco elevado ou máximo. No entanto os dados provam que a “velha guarda” resiste melhor: quanto mais antiga é a empresa (especialmente as que têm mais de 25 anos), menor é o seu risco e maior a sua solidez económica.
Apesar dos desafios internos e da subida das insolvências, o distrito mantém o seu foco no exterior. A taxa de exportação registou uma ligeira subida para os 33,9%, provando que a internacionalização continua a ser a âncora de muitas empresas leirienses num mercado global cada vez mais competitivo.
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