“O mundo está muito perigoso em termos geopolíticos”, diz António Horta-Osório
António Horta Osório disse, esta sexta-feira, que o mundo “está muito perigoso em termos geopolíticos”. Numa análise ao estado da economia portuguesa, o banqueiro avisou que existem dois grandes riscos para o país neste momento.
“Estamos a crescer acima da Europa e pela primeira vez em 50 anos de democracia, temos as nossas contas públicas equilibradas nos últimos três anos, o que acho muito positivo”, começou por dizer esta sexta-feira.
Apesar das boas notícias, identifica dois riscos: “primeiro, que haja uma desaceleração económica mundial e, sobretudo na Europa. Portugal é uma pequena economia aberta e depende muito do comércio internacional, sobretudo no espaço económico europeu. Estando nós a crescer acima da Europa, e se a Europa se ressentir economicamente e o mundo, Portugal sofre por essa via”.
“Número dois. O mundo está, infelizmente, muito perigoso em termos geopolíticos, do mais perigoso que eu me lembro. Portanto, qualquer novo conflito ou aumento dos conflitos geopolíticos existentes pode levar a uma quebra de confiança em termos mundiais e europeus. E essa quebra de confiança, obviamente, reflete-se necessariamente também em Portugal”, acrescentou em declarações à margem da conferência dos 75 anos da câmara de comércio luso-americana (AmCham).
No médio prazo, o que é que Portugal precisa de fazer para reforçar a sua competitividade e posicionar se melhor dentro da União Europeia? “Portugal tem tido um comportamento económico muito positivo, é um caso exemplar em termos de equilíbrio das contas públicas e de redução da dívida. Na Europa, somos um dos únicos três países que tem superavit orçamental e é muito importante para qualquer país, como para qualquer família, para qualquer empresa, viver dentro das suas possibilidades”.
“Temos que nos concentrar em melhorar a competitividade, aumentar o crescimento e com isso, aumentar o salário dos portugueses, e a qualidade de vida dos portugueses que fizeram enormes sacríficos na grande crise financeira para ter as contas equilibradas”, disse.
António Horta-Osório deu três “grandes fatores de progresso” para o país crescer: “aumentar as exportações; segundo, continuar a desenvolver a inovação, que é uma grande segunda fonte de progresso para a humanidade e para qualquer país; em terceiro, assegurar um nível saudável de concorrência que faz as empresas serem melhores, estimula a qualidade e dá melhores produtos aos consumidores”.
Elogiou assim as “políticas do Governo de progressivamente reduzir o IRC e de por mais dinheiro no bolso das empresas, que são as empresas que criam riqueza, que depois pode ser distribuída por melhores salários, dar os melhores resultados que as empresas podem ter deve continuar. Temos espaço orçamental para isso”.
“Em termos de políticas práticas, seria muito importante continuar a devolver dinheiro, se quiser, aos portugueses. Penso que prioritariamente, isso deve ser feito através de continuar a baixar a carga fiscal para as empresas. Porque, repito, são as empresas que criam valor acrescentado e que pode levar à melhoria dos salários a médio prazo”, concluiu.
Portugal deve ter o objetivo comum de aumentar o crescimento económico nos próximos anos, defende António Horta-Osório.
“Não há nenhuma razão para não termos objetivo global como sociedade de aumentar o crescimento económico para melhorar a qualidade de vida”, disse o banqueiro esta sexta-feira, considerando que a meta deve ter “números e prazos”, numa iniciativa “suprapartidária” e “intergeracional”.
Num discurso durante um evento da câmara de comércio luso-americana (AmCham), também comentou sobre as relações entre Portugal e os EUA: “vai ser interessante ver como se processa esta relação com a atual administração americana”.
Share this content:


Publicar comentário