Portugal bate recordes de consumo de eletricidade em janeiro, mas preços mantêm-se competitivos na Europa
O frio intenso que se abateu sobre Portugal em janeiro levou o país a registar recordes históricos de consumo diário de eletricidade, com seis máximos consecutivos ao longo do mês. No dia 23, o consumo atingiu cerca de 198,1 GWh, segundo dados da REN — Redes Energéticas Nacionais, o que representa o maior consumo diário de sempre em território nacional.
Apesar da procura elevada, os preços da eletricidade continuam entre os mais competitivos da Europa, ajudando a amenizar o impacto nas faturas domésticas neste inverno rigoroso.
“Estamos a consumir mais eletricidade do que nunca, mas a combinação de energia renovável, interligações e política energética mantém os preços relativamente estáveis para os consumidores portugueses”, explica José Trovão, Head of Energy e Utilities no ComparaJá.
O aumento do consumo traduz-se em maior pressão sobre o sistema elétrico, especialmente durante os horários de ponta, fim de tarde e início da noite, quando muitos equipamentos, como aquecimento e iluminação, estão em funcionamento. Este fenómeno pode refletir-se em faturas mais altas para famílias com maior consumo nestes períodos críticos.
Segundo especialistas, o padrão de consumo elevado não é um evento isolado: o mês de janeiro de 2026 registou um crescimento acumulado de cerca de 8,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Isto reflete mudanças nos hábitos das famílias, com maior utilização de aquecimento, luz, eletrodomésticos e carregadores de veículos elétricos.
Apesar do aumento do consumo, Portugal mantém os preços da eletricidade entre os mais baixos da Europa, em contraste com outros países, onde picos de consumo já levaram a aumentos significativos nas faturas. Este equilíbrio é atribuído à combinação de produção renovável, interligações internacionais e políticas de regulação do setor, que contribuem para conter os custos finais aos consumidores.
Os portugueses estão a consumir mais, mas pagam menos do que muitos dos seus vizinhos europeus, oferecendo uma oportunidade de gerir melhor o orçamento doméstico mesmo em períodos de frio intenso.
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