Emprego em Portugal bate novos recordes em 2025, mas produtividade recua pela primeira vez em quatro anos
No final de 2025, a população empregada atingiu 5,34 milhões de pessoas, mais 190.700 trabalhadores do que no ano anterior, o que representa um crescimento de 3,7%. Em paralelo, as empresas reforçaram a retenção de talento, com a celebração de mais 192.100 contratos sem termo face a 2024, um aumento de 5% em termos homólogos.
A taxa de desemprego manteve-se estável nos 5,8%, valor que corresponde, ainda assim, a uma descida de 0,9 pontos percentuais em relação ao final de 2024, confirmando a resiliência do mercado laboral num contexto de crescimento económico moderado.
Contudo, o dinamismo do emprego não foi acompanhado por ganhos de eficiência. A produtividade do trabalho recuou 1,3% em 2025, refletindo o facto de o crescimento do emprego (3,2%) ter superado de forma significativa o do Produto Interno Bruto (1,9%). É a primeira variação negativa deste indicador desde 2021, sugerindo que a economia está a empregar mais pessoas, mas a gerar proporcionalmente menos riqueza.
O desempenho do mercado de trabalho no último trimestre foi sustentado sobretudo pelo setor dos serviços, responsável pela criação de mais 31.700 postos de trabalho (+0,8%), compensando as perdas registadas na indústria e na agricultura.
Outro fenómeno em destaque é o regresso do teletrabalho ao crescimento. Entre outubro e dezembro, mais 93.000 profissionais passaram a trabalhar em regime remoto ou híbrido, um aumento de 9% face ao trimestre anterior. No total, 1,13 milhões de pessoas, cerca de 21,2% dos empregados, recorrem atualmente a esta modalidade. A Grande Lisboa continua a liderar, com uma taxa de penetração de 33,3%.
Apesar do quadro global positivo, os jovens permanecem como o grupo mais vulnerável. A população entre os 16 e os 24 anos foi a única a registar uma queda do emprego no último trimestre, com menos 22.700 jovens empregados, o que corresponde a uma descida de 7%. Em contraste, os grupos etários entre os 25 e os 54 anos continuaram a crescer.
Para Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, os dados mostram um mercado de trabalho “robusto em volume, mas com desafios ao nível da eficiência”. “O aumento dos contratos sem termo demonstra o esforço das empresas para reter talento num contexto de escassez”, sublinha. “No entanto, a quebra da produtividade é um sinal de alerta: em 2026, a prioridade não pode ser apenas contratar, mas investir na aceleração tecnológica e no upskilling das equipas.”
A leitura deixada pelos números é clara: Portugal continua a criar emprego e a reforçar a estabilidade laboral, mas enfrenta o desafio de transformar esse crescimento quantitativo em ganhos sustentáveis de produtividade — condição essencial para assegurar um crescimento económico mais sólido no médio prazo.
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