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Ordem dos Psicólogos lança guia para ajudar a recuperar emocionalmente após tempestades e inundações

Ordem dos Psicólogos lança guia para ajudar a recuperar emocionalmente após tempestades e inundações

A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) criou um guia prático para ajudar a população a lidar com o impacto emocional das tempestades e inundações que têm afetado várias regiões do país. O documento, desenvolvido em parceria com a Direção-Geral da Saúde (DGS) e a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC), oferece conselhos concretos para apoiar o bem-estar psicológico de quem viveu situações de risco, perda ou destruição.
Intitulado “Como Recuperar Emocionalmente de Situações de Tempestade e Inundações?”, este reconhece que, em momentos de ameaça, é natural que as pessoas sintam medo, choque ou incapacidade de reagir. “Podemos sentir tristeza, raiva ou até um sentimento de injustiça ao vermos a nossa segurança e aquilo que construímos ao longo do tempo ser levado pela água ou pela força do vento”, lê-se no documento divulgado pela OPP.
A Ordem relembra que “cada pessoa reage à sua maneira e ao seu ritmo – não há o certo e o errado”, salientando que todas as reações são naturais e fazem parte do processo de recuperação emocional.
Aceitar, falar e cuidar de si
Entre as recomendações apresentadas, destaca-se a importância de aceitar o impacto emocional das tempestades e permitir-se sentir e expressar essas emoções. Falar sobre o que se sente – ou, simplesmente, estar com alguém de confiança – é fundamental para aliviar o sofrimento emocional.
O guia alerta ainda para o perigo da urgência em “voltar ao normal” de imediato. A pressa em reparar danos pode levar a situações de risco, como subir a telhados ou lidar com estruturas instáveis. “Proteger a vida deve vir sempre primeiro; só depois se reconstrói”, sublinha o documento.
Outra recomendação diz respeito à gestão da exposição às notícias sobre as inundações. A OPP aconselha a manter-se informado, mas a evitar o consumo excessivo de imagens e relatos que possam aumentar a ansiedade. O equilíbrio, acrescenta, é essencial para preservar a saúde mental.

Cuidar das crianças
O guia dedica também um conjunto de orientações específicas para pais e cuidadores, lembrando que as crianças podem ter dificuldade em compreender e processar os acontecimentos. Manter a segurança depois das inundações ou tempestades porque os perigos continuam presentes, como vidros, lamas, entre outros. Oferecer presença física e emocional, validar os seus sentimentos e reconhecer que as suas reações são normais são passos-chave para a sua recuperação. As crianças mais novas podem “precisar de colo” e contacto físico adicional. Outras crianças/jovens podem preferir dialogar, ou necessitar de mais tempo em família. A nossa atenção, conforto e encorajamento oferece-lhes segurança. Olhar diretamente nos olhos da criança/jovem e dizer-lhe que estamos com ela/e, pode ser suficiente para a acalmar.
É igualmente importante responder às dúvidas e restabelecer rotinas – desde as refeições às horas de sono – de modo a devolver previsibilidade e sensação de segurança. “Dizer à criança que estamos com ela pode ser suficiente para a acalmar”, aponta a OPP.
Recomendações para os idosos
As pessoas idosas podem sentir-se confusas, desorientadas ou ansiosas após situações difíceis como inundações ou tempestades. É comum terem medo de perder a sua autonomia, de serem colocadas num lar ou de ficarem isoladas, o que pode levar a comportamentos de apatia, irritação ou tristeza. Estas alterações emocionais e psicológicas podem afetar a sua saúde e estabilidade mental, aumentando o risco de hospitalizações ou de problemas a longo prazo. Para apoiar o seu processo de recuperação, é essencial garantir contacto regular e previsível, através de telefonemas, mensagens ou visitas diárias, ajudando a reduzir a ansiedade e a desorientação. Sempre que possível, deve existir um plano alternativo para falhas de eletricidade ou de rede, como a definição de um ponto de encontro seguro, horários combinados ou contactos de vizinhos e familiares escritos num local visível.
É igualmente importante criar, de forma calma e sem alarmismo, um plano simples de segurança e evacuação, que ajude a lidar com o receio de novas ocorrências. Este plano deve ser construído em conjunto e incluir para onde ir, quem contactar, como sair de casa e o que levar consigo, como documentos, água, medicação ou o carregador do telemóvel. Pode ser necessário repetir esta informação várias vezes, sobretudo em situações de maior confusão ou ansiedade. Garantir uma rede de suporte sólida, envolvendo familiares, amigos, vizinhos e organizações locais, é fundamental para assegurar ajuda diária, seja no acesso à alimentação, no apoio em tarefas domésticas ou simplesmente para conversar e compreender o que aconteceu antes, durante e após os acontecimentos.
A atenção à saúde deve ser uma prioridade, uma vez que muitas pessoas idosas podem ter perdido medicação, óculos, próteses ou outros equipamentos essenciais. Sem fazer promessas irrealistas, é importante facilitar o acesso rápido à medicação habitual, avaliar a substituição de dispositivos de saúde, garantir consultas médicas previamente agendadas e, quando necessário, apoio profissional. Por fim, deve-se procurar manter um sentido de continuidade e identidade, restaurando rotinas habituais e promovendo conversas sobre o passado e o futuro, recorrendo a fotografias ou objetos significativos. Manter tarefas com significado, como cozinhar, cuidar de plantas ou apoiar familiares, ajuda a preservar a autonomia, a dignidade e o sentido de propósito, mesmo após a perda de pessoas, bens ou pertences importantes.
Recuperar no próprio tempo
A Ordem dos Psicólogos reforça que a recuperação emocional não tem prazos universais: cada pessoa precisa do seu tempo e ritmo. “Procure apoio, cuide de si para poder cuidar dos outros. Se não estiver bem, ou se identificar sinais de alerta em si ou nos outros, peça ajuda”, aconselha a instituição.
Quem sentir necessidade de apoio psicológico pode contactar o Serviço de Aconselhamento Psicológico do SNS24 através do número 808 24 24 24.
 

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