Deep Space Energy levanta 930 mil euros para proteger satélites da UE contra interferências externas
A startup letã Deep Space Energy anunciou o fecho de uma ronda de investimento pre-seed de 930 mil euros, liderada pelo Outlast Fund e por Linas Sargautis, investidor-anjo e ex-cofundador da NanoAvionics.
A Deep Space Energy garantiu 930 mil euros de financiamento este mês de fevereiro de 2026 para desenvolver baterias nucleares compactas (RTGs), concebidas para proteger os satélites da União Europeia contra interferências externas e alimentar missões lunares.
A empresa assegurou também 580 mil euros adicionais em contratos públicos e subvenções da Agência Espacial Europeia (ESA), do NATO DIANA [Defence Innovation Accelerator for the North Atlantic, que é uma iniciativa da Organização do Tratado do Atlântico Norte lançada em 2022, que atua como um acelerador de inovação tecnológica de duplo uso civil e militar]; bem como do governo da Letónia.
O governo da Letónia é um parceiro ativo do DIANA, tendo estabelecido o “UniLab Defence” em Riga, um dos centros de aceleração da rede NATO para desenvolver tecnologias avançadas no Báltico.
O financiamento será utilizado principalmente para o desenvolvimento de um novo gerador radioisotópico rumo à comercialização, numa tentativa de fortalecer a indústria soberana de defesa e espaço da Europa e alimentar a exploração da superfície lunar.
Este capital será destinado ao desenvolvimento de um inovador sistema de energia alimentado por radioisótopos, com aplicações de uso duplo (dual-use) tanto no setor da defesa como na exploração civil do espaço profundo.
A Deep Space Energy está a desenvolver uma tecnologia de geradores baseada em radioisótopos — materiais derivados de resíduos nucleares que geram calor através do decaimento natural. Segundo Mihails Ščepanskis, fundador e CEO da empresa, a solução converte esse calor em energia elétrica, exigindo 5 vezes menos combustível do que os geradores termoelétricos (RTG) atualmente utilizados no espaço.
A tecnologia da Deep Space Energy foi desenhada para servir como fonte de energia de reserva para satélites governamentais e de defesa de alto valor.
Esta solução garante que, caso os painéis solares sejam comprometidos ou fiquem inoperantes, os sistemas críticos de vigilância e comunicação mantenham a sua funcionalidade através desta “bateria nuclear” de alta eficiência.
A empresa sublinhou que o seu gerador não foi concebido para qualquer tipo de armamento. O foco são os satélites de duplo uso em órbitas MEO, GEO e HEO, fundamentais para Radar de Abertura Sintética (SAR), que serve para a deteção de concentrações de tropas através de nuvens e vegetação. Mas também para a interceção de comunicações e transmissões de rádio; para a deteção de lançamento de mísseis, essencial para sistemas de defesa antimíssil. Ou seja, não fabrica armas mas serve a guerra com informação.
A empresa aponta o contexto geopolítico onde o espaço se torna um domínio cada vez disputados pelas grandes potências, como a China e a Rússia.
A longo prazo, o objetivo é a economia da Lua. A tecnologia desta startup é um “divisor de águas” para a exploração espacial. Em termos simples resolve o maior problema de quem quer viver ou trabalhar na Lua: como manter as máquinas ligadas no escuro e no frio extremo. Na noite lunar as temperaturas descem abaixo dos -150°C e as noites duram cerca de 354 horas. Uma única “noite” na Lua dura cerca de 14 dias terrestres (354 horas).
O gerador abordará desafios críticos das missões Artemis (NASA) e Argonaut (ESA).
A Deep Space Energy consegue a mesma energia usando apenas 2 kg de combustível, quando a tecnologia antiga precisaria de 10 kg.
Esta eficiência poderá permitir que as missões de exploração lunar comecem cinco anos antes do previsto e com até cinco vezes mais volume de missões, poupando centenas de milhões de euros em custos de transporte de carga (que podem custar até um milhão de euros por quilograma).
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