Angola quer atrair privados para investirem no setor mineiro
Os protagonistas estatais do setor mineiro angolano estiveram na Cidade do Cabo, na África do Sul, para mais uma indaba de negócios, procurando fazer valer o potencial da indústria angolana – e do ambiente empresarial – junto dos investidores.
E a convocação do privado não podia ter sido mais direta, com a tutela dos recursos minerais a oferecer oportunidades para “cooperação duradoura e segura”: a quem investir. “Convidamos grandes e médias empresas a se engajarem na mineração em Angola”, apelou Diamantino Azevedo, ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET).
Hoje, os investimentos no setor oscilam entre os cinco e os 10 milhões de dólares para pequenas operações, segundo o diretor nacional dos Recursos Minerais, Paulo Tanganha, admitindo que possam ultrapassar os 300 milhões no caso de grandes empreendimentos. Com foco nas multinacionais, e com as australianas Rio Tinto e Tyranna Resources já operacionais no país, Diamantino Azevedo recordou o interesse da BHP em regressar ao mercado angolano quase 20 anos depois de ter saído.
A riqueza geológica do país – Angola possui 36 dos 51 minerais considerados críticos a nível global – faz parte das contas do Executico angolano para a diversificação económica e desenvolvimento do país. As oportunidades vão muito além do petróleo e dos diamantes, e o Executivo quer que os investidores as conheçam. O ouro está na primeira linha, como o refere desde logo o Plano de Desenvolvimento Nacional (PDN) 2023 – 2027. “Os nossos recursos incluem nióbio, terras raras, fosfatos, ouro, ferro, diamantes, petróleo e minerais para a transição energética”, listou o governante no discurso de abertura do Dia de Angola, no segundo dia da agenda de trabalhos do ‘Mining Indaba’.
A par de investimento e promoção do potencial mineral e serviços mineiros, a delegação angolana viajou para África do Sul com a missão de encontrar “parceiros estratégicos que partilhem o compromisso com a exploração responsável, o desenvolvimento sustentável e a criação de valor a longo prazo”, afirmou o ministro.
E Angola reafirmou precisamente essa responsabilidade com a adesão ao Fórum Intergovernamental sobre Mineração, Minerais, Metais e Desenvolvimento Sustentável (IGF), no dia 10 de fevereiro. “Ajudar-nos-á a reforçar as estruturas de governação, melhorar a criação de valor local e garantir que o nosso setor mineiro contribua plenamente para o desenvolvimento inclusivo e sustentável”, comentou à margem da assinatura do acordo, virando mais uma página da agenda de encontros e audiências com delegações de França, Canadá, Austrália, e Afreximbank e Anglo American. Com saldo positivo.
Do lado do setor privado sul-africano, as empresas Copper Mining 360, Pentagon Resources, Africa Star Aviation e Deep Ocean mostraram-se interessadas em conhecer as oportunidades de exploração e de parcerias na mineração angolana. Aos representantes de França, “um dos melhores parceiros” de Angola, o ministro pediu reforço na cooperação: “estou muito feliz com a cooperação nos petróleos, mas gostaria que houvesse também cooperação ao nível mineiro entre Angola e França”.
As primeiras minas de ouro
Igualmente presente na ‘Mining Indaba’, o presidente da Endiama reiterou que o ouro é prioritário para a empresa pública, admitindo que as primeiras minas poderão iniciar operações já este ano. “Impulsionada por décadas de experiência nos diamantes, a Endiama está a expandir-se estrategicamente para outros recursos minerais, especialmente o ouro, como parte da nossa visão de longo para o crescimento sustentável”, afirmou o PCA José Ganga Júnior.
Olhando para os diamantes, foram produzidos 15,2 milhões de quilates em 2025. Em termos de faturação, estão em causa 1,8 mil milhões de dólares norte-americanos.
A empresa comunicou no final do ano passado que 93% da produção total de diamantes do país está sob sistema de rastreabilidade no âmbito da responsabilidade do subsetor com a transparência, governança e as melhores práticas internacionais ESG (ambiental, social e governança).
No Fórum mundial da África do Sul, entre os dias 9 e 11, o diretor Nacional de Recursos Minerais salientou perante os investidores as reformas institucionais que o país tem levado a cabo, nomeadamente o reforço e a capacitação da Direcção Nacional dos Recursos Minerais (DNRM), do Instituto Geológico de Angola (IGEO) e da Agência Nacional dos Recursos Minerais (ANRM).
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