Baixas qualificações abrangem 29% do emprego em Portugal
O mercado de trabalho português encerrou 2025 com novos máximos históricos de participação e emprego, segundo dados divulgados pela Randstad Research com base no Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística.
A Randstad Research divulga os 50 destaques do mercado de trabalho português relativos ao quarto trimestre de 2025, com base nos resultados do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística (INE).
No quarto trimestre, a população ativa aumentou aumentou 7,2 mil pessoas face ao trimestre anterior alcançando, 5,67 milhões de ativos, o valor mais elevado da série histórica, enquanto o número de pessoas empregadas subiu para 5,34 milhões. A taxa de emprego fixou-se em 57,7%.
A taxa de desemprego manteve-se nos 5,8%, menos 0,2 pontos percentuais do que a média da União Europeia, e o número de desempregados caiu 11,4% face ao ano anterior. Ainda assim, o desemprego jovem agravou-se para 19,8%.
Mercado a duas velocidades
Os dados revelam um mercado mais qualificado, mas também mais desigual. Atualmente, 35,8% da população ativa tem ensino superior, grupo com a taxa de atividade mais elevada (83,8%). Porém, 29,2% dos trabalhadores têm apenas o ensino secundário obrigatório, uma proporção que duplica a média europeia.
Esta dualidade traduz um desafio estrutural para a produtividade e competitividade da economia.
Especialistas e contratos permanentes dominam emprego
Os especialistas das atividades intelectuais e científicas consolidaram-se como o maior grupo profissional, representando 24,1% do emprego total.
Entre os 4,52 milhões de trabalhadores por conta de outrem, a estabilidade laboral continua dominante: 85,5% têm contrato sem termo, enquanto o emprego temporário recuou para 14,5%.
No setor público, o número de trabalhadores ultrapassou os 766 mil — novo máximo histórico — com a administração central a concentrar quase três quartos destes postos.
Salários sobem e Lisboa lidera remunerações
Segundo dados da Segurança Social, a remuneração média atingiu 2.171,50 euros em novembro de 2025, um aumento homólogo de 5,2%. A região de Lisboa mantém os salários médios mais elevados do país (2.595,70 euros).
Construção lidera criação de empresas
Em 2025 foram constituídas 50.263 novas empresas, superando largamente as 13.589 dissoluções.
A Construção destacou-se como o setor mais dinâmico, com 6.799 novas empresas, enquanto o Comércio e reparação de veículos registou o maior número de encerramentos (2.703). Os Serviços continuam a dominar a estrutura económica, representando 56,1% das empresas e empregando 45,9% da força de trabalho.
O indicador de clima económico manteve trajetória positiva no final do ano, e os setores dos Serviços e do Comércio antecipam reforço das contratações no início de 2026.
Teletrabalho volta a crescer
Após uma desaceleração no trimestre anterior, o teletrabalho voltou a crescer: mais 93 mil pessoas passaram a trabalhar remotamente, elevando o total para 1,13 milhões (21,2% do emprego).
A distribuição geográfica permanece desigual, com a Grande Lisboa (33,1%) e a Península de Setúbal (27,8%) acima da média nacional.
O regime híbrido tornou-se predominante (40,4%), enquanto apenas 23,8% trabalham exclusivamente a partir de casa. O teletrabalho continua fortemente associado às qualificações: 44,6% dos licenciados trabalham remotamente, face a apenas 12,3% dos trabalhadores com ensino secundário.
Crescimento robusto, desafio estrutural
Os dados confirmam a resiliência do mercado de trabalho português, com emprego e atividade em máximos históricos e desemprego abaixo da média europeia. No entanto, a persistência de uma base alargada de trabalhadores com baixas qualificações mantém-se como um dos principais desafios para 2026, exigindo uma convergência de competências que acompanhe o crescimento do emprego e da produtividade.
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