Jefferies mantém recomendação de compra das ações do BCP e elogia distribuição de dividendos
O banco de investimento norte-americano Jefferies mantém o price-target ao BCP nos 0,88 euros e mantém a recomendação de compra. As ações do banco liderado por Miguel Maya que apresentou esta quarta-feira as contas anuais subiu 1,13% para os 0,92 euros.
Os analistas do Jefferies escrevem que “o resultado do 4º trimestre do BCP em si não apresenta grandes destaques, com um lucro líquido 3% acima do esperado, impulsionado por melhores resultados comerciais e outras receitas, parcialmente compensado por perdas ainda elevadas em Moçambique, em pleno risco soberano contínuo. O grande destaque de hoje é a política de distribuição de dividendos melhorada: o BCP pretende agora distribuir até 90% dos lucros entre 2025 e 2028, incluindo uma recompra de ações no valor de 40% dos lucros de 2025 (cerca de 150 milhões de euros acima das estimativas do consenso), o que acreditamos que deverá suportar as ações”.
O BCP reportou um lucro atribuível no 4º trimestre de 243 milhões de euros, superando em 3% o consenso compilado pelo banco. Ao nível do resultado antes de impostos (PBT) superou as estimativas em 2%, com a subida de receitas a ser parcialmente compensada por imparidades mais pesadas e custos em linha com o esperado.
Os resultados incluíram 115 milhões de euros em provisões relativas a hipotecas em francos suíços na Polónia e 32 milhões de euros em provisões relacionadas com o risco soberano em Moçambique.
O BCP propõe aumentar a sua política de payout de um máximo de 75% para um máximo de 90%, dos quais 50% em dividendos e recompras de ações variando entre 25% e 40%, dependendo do montante de capital excedentário antes das distribuições.
O banco também submeteu ao regulador um pedido para executar uma recompra de ações de 40% dos lucros de 2025 (cerca de 150 milhões de euros acima das expectativas do mercado, que eram de 25%).
O BCP viu os lucros crescerem 12,4% em 2025 para 1.018,6 milhões de euros. O ROE fixou-se em 14,3%. O resultado em Portugal aumentou 10,6% para 869,4 milhões de euros.
“Ainda não houve uma atualização formal das metas estratégicas para 2028, apesar de o BCP estar a superar significativamente as expectativas face ao final de 2024, quando estas metas foram apresentadas (o ROE do ano fiscal de 2025 já está em 14,1%, contra uma orientação para 2028 de mais de 13,5%). Não foram apresentadas previsões formais para 2026 neste momento, mas esperamos que este seja um dos principais temas em discussão na conferência com analistas”, revela o Jefferies.
Destaques Principais do 4º trimestre de 2025
Margem Financeira ficou ligeiramente acima do consenso, subindo 1% em termos trimestrais e 2% homólogos. A margem financeira líquida caiu 4 pb no trimestre, com uma compressão de 12 pb na receitas dos empréstimos a ser parcialmente compensada por uma redução de 5 pb nos custos de depósitos.
As comissões ficaram 1% acima do consenso. Os resultados de negociação (trading) de 25 milhões comparam com os 14 milhões previstos, e outros proveitos de 15 milhões superaram os 2 milhões de euros do consenso.
Os custos totais estiveram em linha com as estimativas, realçam os analistas.
No que toca às imparidades, o total de 240 milhões foi 23 milhões superior ao consenso. O Custo do Risco (CoR) reportado no 4º trimestre foi de 37 pb (32 pb no ano fiscal de 2025).
O custo do risco em Portugal (28 pb) está a evoluir melhor que o esperado e na Polónia mantém-se baixo. Nas outras provisões, incluiu-se novamente uma provisão de 32 milhões relativa ao risco soberano em Moçambique e 115 milhões para as hipotecas em francos suíços na Polónia.
No que toca ao crédito a clientes subiu 4% no trimestre e 7% num ano, com forte dinâmica no retalho em Portugal (+11% num ano), enquanto a Polónia encolheu 3% num ano. O crédito a empresas em Portugal cresceu 7,5% num ano e na Polónia 22%.
Os depósitos ficaram 1% acima do consenso (subiram 4% no trimestre e +9% num ano).
Sobre o rácio de capital CET1 de 15,9% os analistas dizem que ficou 10 pb acima do consenso. O capital CET1 foi 2% melhor, mas os ativos ponderados pelo risco (RWA) subiram 2% devido ao forte crescimento do crédito.
Na rentabilidade o RoTE reportado foi de 13,4% no 4º trimestre e 14,7% no ano de 2025.
Por Geografia, em Portugal o lucro líquido superou o consenso em 9%, impulsionado pelas receitas (outros rendimentos) e melhores imparidades.
A margem financeira em Portugal subiu 1 ponto base no 4º trimestre. O crédito subiu 1% trimestral e 9% num ano. Os depósitos subiram 1% no trimestre e 4% num ano, enquanto os fundos fora do balanço cresceram 3% no trimestre e 12% em termos anuais.
Na Polónia o Bank Millennium já tinha divulgado resultados, pelo que não houve surpresas. “A margem financeira estagnou no trimestre, explicada pelo crescimento de 2% no crédito mas com pressão nas margens devido à descida das taxas. As imparidades incluíram 131 milhões de euros de outras provisões, das quais estimamos 115 milhões relativos a hipotecas em francos suíços”.
“Em Moçambique a dinâmica subjacente foi muito fraca no trimestre, com um prejuízo de 22 milhões no 4º trimestre. O lucro antes de provisões foi 5 milhões superior ao 3º trimestre, mas o banco reconheceu 32 milhões de euros de outras provisões relacionadas com a exposição à dívida soberana do país (acumulando com 20 milhões no 1º trimestre, 3 milhões no 2º trimestre e 23 milhões no 3º trimestre)”, concluem os analistas.
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