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Há 17 mil aviões por entregar e atraso vai demorar 12 anos a resolver

Há 17 mil aviões por entregar e atraso vai demorar 12 anos a resolver

A aviação comercial em todo o mundo atingiu um recorde de passageiros transportados em 2025: 5,2 mil milhões.
Com estes números, as receitas deverão ter atingido um recorde: um bilião de dólares (847 mil milhões de euros).
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Em termos de lucros, o setor deverá ter atingido 40 mil milhões de dólares (33 mil milhões de euros) em 2025, com a margem a disparar para 4% face aos 3% de 2024.
Mas o disparo na procura vai continuar… e a produção de novos aviões não consegue dar resposta atempada às encomendas.
A frota mundial de aviões vai passar de 30 mil para 41 mil nos próximos 10 anos, prevê a Oliver Wyman.
O atraso de produção no setor vai demorar 12 anos a resolver, com 17 mil encomendas de aviões para entregar, e com a frota mundial a envelhecer (13 anos em média de idade).
“Estes números, no entanto, não escondem uma tensão estrutural que o setor arrasta desde a pandemia: a produção de novas aeronaves não consegue acompanhar o ritmo de uma procura que não para de crescer”, segundo a consultora.
A Europa foi o mercado onde foi registado o maior lucro líquido, com o Médio Oriente a apresentar as maiores margens de lucro 9%), com a Europa e a América Latina a registarem 5%.
Mas no maior mercado mundial de aviação, a procura ficou “praticamente estagnada devido à incerteza política, ao endurecimento das políticas migratórias, à escassez de controladores aéreos e ao ‘shutdown’ (paralisação orçamental) do governo dos Estados Unidos”.
Já a Ásia-Pacífico registou o maior crescimento da procura entre todas as regiões analisadas pela Oliver Wyman, com uma subida de 8%, mas com margens mais baixas.
“A principal ameaça para o setor não é a procura, mas a capacidade de satisfazê-la”, destaca a Oliver Wyman, apontando que a carteira de encomendas disparou de 6 mil em 2019 para os 13 mil em 2024, “um atraso que levará mais de doze anos a resolver ao ritmo atual de produção”.
Os problemas na cadeia de abastecimento vão limitar a produção anual de aeronaves, com menos 6 mil aviões a serem produzidos até 2030 devido aos constrangimentos registados.
A consultora destaca que a frota global conta com 13 anos de idade, com as horas de voo por aeronave a aumentarem 2%.
Mas as perspetivas a longo prazo do setor continuam “sólidas”.
A frota mundial vai crescer de 30 mil para 41 mil em 10 anos, com uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 3,2%, “embora com um atraso de seis anos em relação às previsões pré-pandemia”.
A Índia vai registar a maior taxa de expansão da década, crescendo anualmente mais de 7%, seguida pelo Médio Oriente, com 5%.
Na Europa de Leste, o crescimento será superior a 4%, com o da Europa Ocidental a ser de 2%.
Já a China, vai ser o mercado que mais aviões vai ganhar em termos absolutos, com os aviões de fuselagem estreita a reforçarem o seu domínio: de 63% em 2025 para 69% da frota total em 2036.
Em 2036, o A320neo vai ser o avião com maior procura de manutenção, com o motor LEAP a liderar o mercado.
Ao mesmo tempo, há uma “crise de talentos com implicações estruturais”, com mais de 40% dos mecânicos certificados na aviação comercial civil dos Estados Unidos a terem mais de 60 anos, com 45 mil a reformarem-se na próxima década. Na Europa, há escassez de controladores aéreos.
“A indústria aérea tem hoje mais procura do que nunca e menos ferramentas para a gerir do que há uma década. A escassez de aeronaves, o envelhecimento da frota e a crise de talentos técnicos são tendências que já estão a condicionar as decisões estratégicas das companhias aéreas, fabricantes e operadores de manutenção”, disse Carlos García Martín, especialista em aviação da Oliver Wyman.

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