Sindicatos denunciam o que chamam de “ilusão salarial” nos 3.250 euros anunciados pela Randstad
A FEBASE (Federação do Setor Financeiro) e os sindicatos Mais, SBC, SBN e STAS reagiram com dureza aos dados recentemente divulgados pela Randstad Research. Em comunicado, as estruturas sindicais afirmam que “o valor médio de 3.250 euros brutos ofende os profissionais e não reflete a realidade da maioria dos trabalhadores da banca e dos seguros em Portugal”.
Segundo os sindicatos, a utilização de valores médios agregados induz a opinião pública em erro, uma vez que a maioria dos bancários está posicionada até ao nível 10 da tabela salarial. No ACT do Setor Bancário, o salário bruto para este nível é de 1.528,71 euros, sendo que mesmo um profissional no topo da carreira (nível 18) aufere 3.140,48 euros — um valor ainda assim inferior à média publicitada.
No setor segurador, o cenário é igualmente distinto, já que a maioria dos técnicos e especialistas operacionais tem um salário base médio de 1.300 euros, enquanto no setor da distribuição de seguros este valor desce para os 1.100 euros, diz a FEBASE.
As organizações sindicais explicam que a média de 3.250 euros só é alcançável através do “empolamento” provocado pelos altos cargos de direção e pelas remunerações variáveis, como bónus, prémios e isenções de horário.
No entanto, o Mais o SBN e o SBC alertam que estes montantes são temporários, “dependem de objetivos muitas vezes sobre-humanos e não contabilizam para a reforma, o que penaliza gravemente os trabalhadores no momento da passagem à vida ativa”.
A contestação surge num momento de tensão nas negociações coletivas. Os sindicatos sublinham que, na última década, os salários nas finanças cresceram apenas 24%, menos de metade da média nacional de 53%.
“Apesar dos lucros históricos registados pelas instituições, o aumento salarial em 2025 fixou-se nos 2,5% e as negociações para o corrente ano continuam a decorrer sem consenso”, referem os sindicatos.
Para a FEBASE e o STAS, os dados do estudo “ofendem os profissionais” ao ignorar a perda sistemática de poder de compra e a realidade dos salários base que sustentam o setor.
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