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Exportações. Um comprimido alemão e nomes que são arte

Exportações. Um comprimido alemão e nomes que são arte

O peso das exportações portuguesas para Espanha, que supera os 20 mil milhões de euros, está de tal forma estável que é necessário procurar na segunda casa decimal: passou de 25,93% do total há dois anos para 25,96% no ano passado. Três centésimas que refletem um crescimento tímido de 0,6% nas vendas para o país vizinho — semelhante à subida das exportações nacionais como um todo (0,5%). Ainda assim, continua a ser, de longe, o principal cliente das empresas nacionais: entre as 21 principais categorias de exportações, Espanha lidera em 13, destacando-se o material de transporte, com 2,6 mil milhões de euros. Há dois anos eram 12, segundo as contas do Jornal Económico, que se baseiam nos dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística.
E nem o brilharete germânico põe em xeque essa influência. A Alemanha, que viu a quota passar de 12,24% para 13,95%, continua a ser o principal destino em quatro tipos de bens, desde logo na maquinaria e nos aparelhos (2,8 mil milhões) mas também nos produtos químicos (2,5 mil milhões).
Esta última indústria é, na verdade, a grande responsável pelo salto de 14,5% no valor das exportações para a Alemanha, aumentando em 1,4 mil milhões em todas as categorias, mas quase 80% do acréscimo explica-se por esta via. O crescimento tem sido feroz: em 2019, antes da pandemia, a indústria dos químicos não chegava a vender 400 milhões para o território germânico, não muito diferente de 2023, mas no ano passado já ascendia a 1,27 mil milhões de euros e em 2025 quase duplicou para 2,5 mil milhões. E o que são os químicos? Sobretudo, produtos farmacêuticos, num total de 2,37 mil milhões. Um comprimido alemão não calha mal numa altura em que as exportações nacionais estão febris.
Os EUA, o mercado que mais contribuiu para o abrandamento das exportações nacionais em 2025, com uma redução de 13,4%, lideravam há dois anos neste segmento (5,9 mil milhões). No entanto, apesar de até ter aumentado ligeiramente o valor, para 1,38 mil milhões, ficou agora em segundo lugar.
Os 17 principais produtos exportados por Portugal têm, portanto, Espanha ou Alemanha como principais compradores. Já as restantes quatro categorias (as que menos contam para as vendas nacionais) têm como destino preferencial Itália (195 milhões em pedras e metais preciosos), França (154 milhões em peles e couros), EUA (57 milhões em armas e munições) e Emirados Árabes Unidos (objetos de arte e antiguidades). Já nos segundos lugares, é França que tem a palavra, ocupando esta posição em 10 das 22 categorias.

As nomenclaturas
Os nomes que aqui temos referido são, sublinhe-se, simplificações nossas para poupar os leitores das nomenclaturas oficiais. Por exemplo, as peles e couros que Portugal envia para França são, na verdade, “peles, couros, peles com pelo e obras destas matérias; artigos de correeiro ou de seleiro; artigos de viagem, bolsas e artefactos semelhantes; obras de tripa”.
E para quem possa ter emperrado no final deste parágrafo, saciamos a curiosidade: as “obras de tripa” abrangem “ossos de couro e matérias para o fabrico de ossos de couro”, segundo a documentação oficial europeia. Ou seja, alimento para cães.
A propósito ainda de nomenclaturas sobredimensionadas, vale a pena tirar esta da penumbra, por conter, em simultâneo, tanta vida e infortúnio: “Enxovais e coisas móveis pertencentes a uma pessoa que transfira a sua residência habitual por ocasião do seu casamento; bens pessoais adquiridos por sucessão; enxovais, materiais escolares e outras coisas móveis de alunos ou estudantes; caixões contendo os corpos e as urnas contendo as cinzas de defuntos e artigos de ornamentação funerária; mercadorias enviadas a organismos com fins caritativos e filantrópicos e mercadorias para as vítimas de catástrofes (exceto bens pessoais da subposição 9905)”.
É importante referir que esta microcategoria, que tanto aglutina, está sob o chapéu dos objetos de arte, de coleção e antiguidades. No fundo, uma arca em que tudo cabe. Verdade seja dita, é uma rubrica raramente usada: é preciso recuar aos primeiros anos da Troika (2011 e 2012), quando se vendeu menos de 20 mil euros por ano, sobretudo para Angola.
Finalmente, ainda a propósito, é de assinalar que Portugal deixou sair várias antiguidades no ano passado com “mais de 250 anos” (assim delimita a categoria) — sobretudo para os Emirados Árabes Unidos, no valor de 5,2 milhões de euros, mas também para a União Europeia (632,9 milhões), Reino Unido, EUA, Canadá, Brasil, China, Singapura, Japão, Austrália e vários outros. No total, as exportações de antiguidades com mais de 100 anos perfazem 7,6 milhões de euros, de longe, o valor mais elevado nesta rubrica dos últimos 25 anos. É obra.

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