A carregar agora

“[Conflito no] Médio Oriente reacende incerteza”, alerta Banco Carregosa

“[Conflito no] Médio Oriente reacende incerteza”, alerta Banco Carregosa

O head of trading do Banco Carregosa, João Queiroz, considera que o mais recentemente acontecimento no Médio Oriente, que levaram ao rebentar de um conflito armado entre os Estados Unidos e o Irão, apesar de antecipados, “reacenderam a incerteza e provocaram uma reação imediata” nos preços da energia e nos ativos considerados de refúgio.
“Ainda assim, para já, os movimentos mantêm-se contidos e distantes de um cenário de rutura sistémica”, assinala João Queiroz.
“Não é a primeira vez que os investidores enfrentam um choque desta natureza. Em fevereiro de 2022, a invasão da Ucrânia pela Rússia levou o petróleo Brent a ultrapassar os 130 dólares por barril, desencadeou quedas expressivas nas bolsas europeias e elevou a volatilidade para níveis de crise. Meses depois, os mercados tinham recuperado e os setores com fundamentos sólidos voltaram a liderar os ganhos”, lembra o head of trading do Banco Carregosa.
João Queiroz adianta que o padrão é semelhante. “Os principais índices europeus recuaram entre 2% e 3%, o Brent aproximou-se dos 80 dólares por barril, com valorizações próximas de 9%, e o dólar dos Estados Unidos face ao euro, e os metais preciosos, reforçaram-se num típico movimento de procura por segurança. A evolução futura dependerá, sobretudo, de dois fatores: a duração do conflito e a eventual perturbação dos fluxos de petróleo através do Estreito de Ormuz, por onde circula uma parte significativa da oferta global”, considera o head of trading do Banco Carregosa.
O petróleo está nesta altura a subir mais de 7%, com o brent a valorizar 8,63% para os 79,16 dólares e o crude a avançar 7,97% para os 72,36 dólares.
Setores estão a mostrar “diferenciação”
João Queiroz diz também que ao nível setores os dados estão a mostrar uma “clara diferenciação”. Por um lado o setor europeu da Energia “acumula ganhos de aproximadamente 21% desde o início do ano e mantém-se próximo dos máximos de 52 semanas, refletindo a sensibilidade positiva ao contexto atual” enquanto que as Utilities “sobem mais de 15% no mesmo período, consolidando o seu perfil defensivo. As Telecomunicações negoceiam praticamente nos máximos anuais, sinalizando força relativa”.
Por outro lado Media, Automóvel e Viagens & Lazer “continuam a apresentar desempenhos negativos em 2026, espelhando desafios e vulnerabilidades pré-existentes e agora amplificadas pela incerteza externa”.
Para o head of trading do Banco Carregosa a mensagem é “clara”, com episódios de tensão geopolítica a “tenderem a gerar volatilidade de curto prazo, mas também a criarem oportunidades” para investidores com horizonte alargado.
“A diversificação permanece o instrumento central de gestão de risco, com enfoque em setores “value” e defensivos na Europa — como Saúde, Energia, Utilities e Imobiliário — onde os múltiplos são mais equilibrados e os fluxos de caixa mais previsíveis”, diz João Queiroz.
“Ao mesmo tempo, uma exposição seletiva a economias emergentes exportadoras de matérias-primas pode beneficiar de termos de troca mais favoráveis num contexto de crude elevado. Em contraste, ativos de crescimento mais sensíveis a taxas de juro e a fluxos de caixa distantes no tempo tendem a revelar maior vulnerabilidade num ambiente de inflação energética e incerteza prolongada”, refere o head of trading do Banco Carregosa.
“Atualmente, os mercados ajustam-se. A magnitude do impacto dependerá menos do choque inicial e mais da sua esperada duração”, considera João Queiroz.

Share this content:

Publicar comentário