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Portugal contra a corrente: o único país europeu que vê a emigração como um benefício

Portugal contra a corrente: o único país europeu que vê a emigração como um benefício

Enquanto o Velho Continente observa com apreensão a saída de capital humano e debate os impactos da chegada de novos residentes, Portugal segue uma trajetória distinta.
De acordo com o mais recente estudo da Gallup International Association (GIA), conduzido no país pela Intercampus, os portugueses mantêm uma visão singularmente positiva sobre os fluxos migratórios, contrastando com o pessimismo predominante nas maiores economias da Europa Ocidental.
Para a maioria dos portugueses, a saída de cidadãos para o estrangeiro não é vista como uma ferida aberta, mas sim como um benefício. Os dados são claros: 52% dos inquiridos em Portugal consideram que a emigração beneficia o país, um número que esmaga a média da Europa Ocidental, onde apenas 18% partilham desta visão.
Num mundo globalizado, a mobilidade internacional parece ser encarada pelo povo português não como uma ameaça à estabilidade, mas como um fator de valorização individual e um motor de ligação ao resto do mundo, segundo o estudo da Intercampus.
A nível global, a tendência é mais crítica no que respeita à emigração, com mais países a associarem a saída de cidadãos a prejuízos do que a benefícios. Portugal surge, assim, como um dos casos que mais se distancia deste padrão entre as economias desenvolvidas.
Portanto a diferença acentua-se quando comparamos Portugal com os seus parceiros europeus. Em Espanha 56% consideram a emigração prejudicial;  no Reino Unido 38% veem um impacto negativo; e na Alemanha 31% apontam prejuízos, contra apenas 15% que veem benefícios.
“Portugal apresenta uma posição singular no contexto europeu. Enquanto várias economias desenvolvidas associam a emigração à perda de capital humano, os portugueses mantêm uma visão mais pragmática da mobilidade internacional”, explica António Salvador, diretor geral da Intercampus.
A abertura portuguesa não se limita à saída. No que toca à entrada de estrangeiros, o país revela-se ainda mais otimista. Em Portugal, 63% dos inquiridos consideram que a entrada de pessoas vindas do estrangeiro beneficia o país, face a 22% que apontam impactos negativos. Na média da Europa Ocidental, as opiniões apresentam-se praticamente equilibradas, com 38% a identificar benefícios e 37% a apontar prejuízos.
Esta mentalidade “fora da caixa” no contexto europeu pode ser explicada por três pilares fundamentais, segundo a Intercampus. Por um lado a tradição histórica, temos uma longa história de mobilidade que moldou a identidade nacional. Depois, o peso económico, dado o contributo vital das remessas enviadas pelas comunidades portuguesas no exterior. Por fim o reconhecimento de que a entrada de novos residentes é essencial para o equilíbrio demográfico e económico do país.
Para além das fronteiras geográficas, o estudo revela que a perceção sobre as migrações não é uniforme dentro da própria sociedade portuguesa, expondo um claro fosso geracional e escolar. Os dados evidenciam que as avaliações mais favoráveis, tanto em relação à imigração como à emigração, concentram-se nos inquiridos com níveis de escolaridade mais elevados e entre as gerações mais jovens. Em sentido inverso, os grupos etários mais velhos demonstram uma postura consideravelmente mais cautelosa, manifestando reservas sobretudo quanto ao impacto da entrada de estrangeiros no país.
Esta diferenciação sociodemográfica ajuda a sustentar os números que colocam Portugal numa posição única: enquanto o país regista 52% de respostas favoráveis ao benefício da emigração contra apenas 24% que a veem como prejuízo, a média da Europa Ocidental inverte esta lógica, com apenas 18% de avaliações positivas face a 35% de negativas.
O contraste é ainda mais flagrante quando comparado com Espanha, onde a visão negativa da saída de cidadãos atinge os 56%, consolidando Portugal como uma exceção no entusiasmo pela mobilidade internacional.
 

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