Portugal é segundo com mais fundadoras de startups com pedidos de patente europeia
As mulheres representam 15,7% dos fundadores de startups portuguesas que detêm pedidos de patente europeia, colocando o país em segundo lugar, apenas atrás de Espanha, revela a Organização Europeia de Patentes, esta terça-feira, 3, em antecipação do Dia Internacional da Mulher, que se comemora no próximo domingo, 8 de março.
Nos países da Organização Europeia de Patentes, apenas 13,5% das startups com patentes incluem uma mulher fundadora.
Em Portugal, 22,9% das startups com atividade de patenteamento incluem pelo menos uma mulher entre os seus fundadores. Os Países Baixos, a Áustria e a Alemanha registam as taxas de participação mais baixas.
As startups mais recentes apresentam uma maior proporção de mulheres fundadoras em toda a Europa (14% nas empresas mais jovens face a cerca de 5.9% nas empresas com mais de 20 anos), o que, segundo o relatório, sugere que “as startups recém-criadas estão a tornar-se mais diversas”. No entanto, as empresas cofundadas por mulheres parecem enfrentar maiores desafios ao nível da sua expansão. Os dados revelam ainda que a representação feminina diminui nas rondas de financiamento mais avançadas.
As portuguesas destacam-se não apenas como fundadoras ou co-fundadoras de startups. Portugal lidera o ranking europeu com maior participação feminina no patenteamento.
O relatório elaborado pelo Observatório de Patentes e Tecnologia da OEP indica que a participação das mulheres na atividade inventiva em Portugal aumentou de 26,9% em 2013-2017 para 29,3% em 2018-2022, colocando o país em primeiro lugar entre as maiores jurisdições da Europa e mais de 10 pontos percentuais acima da média europeia. A média europeia é de 13,8%.
De acordo com os dados, as mulheres continuam a estar sub-representadas entre os doutorados com atividade de patenteamento, apesar da sua forte presença ao nível do doutoramento.
“A disparidade aumenta em cada etapa da carreira, refletindo uma persistente ‘fuga de talentos’ (leaky pipeline), particularmente visível quando os investigadores avançam para a comercialização das suas invenções”, pode ler-se no relatório.
O estudo conclui ainda que a investigação conduzida por mulheres apresenta “potencial inventivo comparável ao dos homens”, sugerindo que “a menor participação feminina no patenteamento não se deve à falta de resultados científicos de elevada qualidade, mas a fatores sociais, institucionais e económicos que moldam as oportunidades de carreira”.
A participação das mulheres varia de área para área. Na indústria farmacêutica (34,9%), biotecnologia (34,2%) e química alimentar (32,3%) estão as maiores proporções de mulheres inventoras, o que reflete a maior presença feminina na investigação ligada às ciências da vida.
Em contrapartida, alguns dos domínios de engenharia mais intensivos em patentes registam os níveis mais baixos: máquinas-ferramenta (5,7%), processos básicos de comunicação (5,5%) e elementos mecânicos (4,9%) situam-se no final da distribuição.
As universidades e as organizações públicas de investigação apresentam, de longe, a maior proporção de mulheres inventoras (24,4%), enquanto as pequenas e médias empresas (PME) e os requerentes individuais registam as taxas mais reduzidas de participação feminina.
O relatório conclui que as mulheres estão também cada vez mais presentes nas profissões que sustentam o sistema de inovação: representando hoje em dia já 29,2% dos mandatários europeus de patentes. O número continua a crescer.
António Campinos, presidente da OEP, destaca a evolução também neste campo: “Cerca de um quarto dos nossos examinadores de patentes são mulheres, e este número aumenta todos os anos, graças aos esforços direcionados ao nível do recrutamento. No ano passado, 31% dos novos examinadores recrutados foram mulheres, e a proporção de mulheres no nosso programa Jovens Profissionais tem-se mantido acima dos 50%, assegurando um sólido pipeline de talento futuro”.
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