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ING alerta que conflito prolongado no Médio Oriente produziria “choque de proporções históricas” no gás natural

ING alerta que conflito prolongado no Médio Oriente produziria “choque de proporções históricas” no gás natural

A instituição financeira e bancária ING antecipou na segunda-feira dois cenários para os mercados consoante a duração do conflito que rebentou entre Estados Unidos, Israel e Irão no passado fim-de-semana. No cenário mais pessimista, que seria uma retaliação iraniana que obrigue à ação norte-americana trazendo uma guerra sem fim à vista, poderia levar a “um choque de oferta de proporções históricas” no gás natural, a correções nas bolsas, interrupções nas cadeias de abastecimentos, e a dilemas nos bancos centrais.
No cenário mais pessimista, avançado pelo ING, que seria uma guerra sem fim à vista, os ataques continuariam “indo além dos alvos militares fixos, atingindo as infraestruturas e os ativos móveis, reduzindo o ritmo operacional, mas prolongando o calendário indefinidamente”.
Neste cenário o Irão, “encurralado e com a sobrevivência do regime em risco, intensifica a guerra económica assimétrica com o assédio contínuo ao tráfego de petroleiros, a ativação de ataques houthis contra navios no Mar Vermelho e tentativas de interromper o Estreito de Ormuz”, antecipa o ING.
“Mesmo uma interrupção parcial num ponto de estrangulamento que movimenta 20 milhões de barris de petróleo por dia e mais de 100 mil milhões de metros cúbicos de GNL (gás natural liquefeito) anualmente produz um choque de oferta de proporções históricas. Toda a região se torna instável. As implicações para o mercado são materialmente diferentes: o petróleo a aproximar-se dos 100 dólares e mais além, uma correção genuína do mercado bolsista, uma fuga para as obrigações que se mantém em vez de se inverter, uma interrupção prolongada da cadeia de abastecimento tanto para a China como para a Europa e um dilema para os bancos centrais que não tem uma resposta clara”, alerta o ING.
O cenário mais otimista do ING aponta para um conflito que duraria entre quatro a sete dias, seguidos de incerteza interna no Irão.
“Os ataques dos Estados Unidos e de Israel esgotam rapidamente os alvos militares fixos, o ritmo operacional abranda e um cessar-fogo surge de facto no espaço de uma semana. A retaliação iraniana continua contida, causando danos suficientes para serem politicamente úteis internamente, mas não o suficiente para provocar uma contra-escalada decisiva por parte dos Estados Unidos. O Estreito de Ormuz sofre assédio, mas sem grandes perturbações, em parte porque as próprias exportações de petróleo de Teerão para a China dependem dele. O regime sobrevive enfraquecido ou fragmenta-se numa transição interna caótica”, antecipa o ING.
Neste cenário, para os mercados, tratar-se-ia do roteiro para Junho de 2025, ou seja, “um pico inicial do petróleo, que diminui à medida que os receios de perturbação em Ormuz se dissipam. Um prémio de risco de guerra temporário, sem implicações macroeconómicas duradouras”.

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