Seguradoras em Portugal aceleram rumo à IA Generativa para vencer sistemas obsoletos
O setor segurador em Portugal está a viver um momento de transformação profunda. Segundo a primeira edição do Observatório do Mercado Segurador Português, lançado hoje pela Deloitte, as companhias de seguros nacionais estão a abraçar a Inteligência Artificial Generativa (GenAI) como alavanca de crescimento, embora enfrentem desafios estruturais no talento e na tecnologia.
Segundo o estudo as seguradoras portuguesas estão a avançar no digital e começam agora a integrar IA generativa (GenAI), com uma em cada cinco já a utilizá-la de forma significativa
O estudo, que contou com o contributo de executivos de 15 seguradoras (representando 80% do mercado), destaca que 6 em cada 32 inquiridos já reportam uma utilização elevada de GenAI em funções de negócio.
O otimismo é evidente, já que 53% dos líderes antecipam ganhos de eficiência entre 10% e 25% nas equipas de subscrição nos próximos três a cinco anos.
Apesar do entusiasmo com a IA, o setor luta contra o tempo. Cerca de 50% das seguradoras ainda operam com sistemas “core” com mais de 15 anos, muitas vezes descritos como rígidos e pouco integrados. Apenas 3% dos executivos consideram que os seus sistemas atuais geram um impacto positivo no negócio.
Para Nuno Schäller Gonçalves, Partner da Deloitte, existe um “desfasamento entre a visão estratégica e a execução tecnológica”. O especialista sublinha que a modernização destes sistemas é “essencial para reforçar a competitividade num mercado em rápida mudança”.
O setor identificou três barreiras críticas ao crescimento. Por um lado a pressão de custos e eficiência operacional; depois a escassez de talento com competências digitais e analíticas; e por fim as limitações regulamentares, que condicionam a agilidade na inovação.
Para contornar estes obstáculos, as seguradoras estão a apostar em modelos “phygital” — que fundem a proximidade humana com canais digitais — e na integração em ecossistemas. Embora 40% das empresas ainda estejam numa fase exploratória nestas redes de colaboração, os grandes players já apresentam modelos consolidados.
A Deloitte avança que o futuro é híbrido e automatizado. A inovação da oferta e a melhoria da experiência do cliente são as prioridades absolutas para o próximo quinquénio.
Com a IA a assumir um papel central na deteção de fraude e no atendimento, o sucesso das seguradoras portuguesas dependerá da sua capacidade de escalar estas tecnologias de forma transversal, deixando para trás as infraestruturas do passado.
Assim, a transformação digital, inovação da oferta e melhoria da experiência do cliente surgem como os principais motores de crescimento nos próximos cinco anos, com fusões, aquisições e integração em ecossistemas a ganharem relevância estratégica.
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