Sinal misto em Wall Street numa sessão tensa à espera do fim da guerra do Irão
O “benchmark” S&P 500 caiu 0,21%, para os 6.781,50 pontos. Já o Nasdaq Composite manteve-se praticamente inalterado com uma ligeira valorização de 0,01%, para os 22.697,10 pontos. O Dow Jones, por sua vez, perdeu 0,07% para os 47.706,51 pontos.
Os investidores não estão seguros que a guerra do Irão vá mesmo acabar em breve, apesar das palavras de Donald Trump.
“O contexto geopolítico continua longe de ser estável, deixando os mercados vulneráveis a uma maior volatilidade”, disse à Bloomberg Fawad Razaqzada, da Forex.com.
“Penso que a guerra está praticamente terminada”, disse Trump ao correspondente-chefe da CBS na Casa Branca, que indicou ainda que a ofensiva está “bastante avançada” em relação ao calendário. Embora a Guarda Revolucionária Iraniana tenha afirmado que “nós determinaremos quando a guerra terminar”, ainda assim os investidores parecem estar a prestar mais atenção às palavras do presidente norte-americano.
No entanto, há as notícias de que o Irão terá começado a minar o Estreito de Ormuz pesaram sobre o sentimento dos investidores. A alegada minagem levou o Presidente dos EUA, Donald Trump, a ameaçar com um ataque “20 vezes mais poderoso”. Um post de Trump mudou o sentimento do mercado.
Isto numa altura em que tanto a Arábia Saudita, como o Kuwait, o Iraque e os Emirados Árabes Unidos suspendem ou reduzem a produção de crude devido à falta de armazenamento.
Os preços do petróleo caíram acentuadamente nesta terça-feira. O crude caiu cerca de 8%: o Brent fechou a cotar nos 90,81 dólares, enquanto o WTI encerrou a sessão nos 86,93 dólares.
Já o preço do ouro começou a ser negociado neste dia 10 de março de 2026 com cautela, no meio da crescente incerteza geopolítica e financeira., segundo o Analista Senior de Mercado de XS.com.
“Embora o metal precioso beneficie normalmente de períodos de tensão internacional, nesta ocasião os seus ganhos foram limitados pelo fortalecimento do dólar norte-americano e pela subida das yields dos títulos do Tesouro. Os investidores mantêm-se atentos aos desenvolvimentos no Médio Oriente e aos próximos dados de inflação dos EUA”, acrescenta Antonio Di Giacomo.
No âmbito macroeconómico, os principais indicadores da semana serão divulgados a partir de amanhã. O Índice de Preços no Consumidor (IPC) de fevereiro será publicado na quarta-feira, enquanto o Índice de Preços no Consumo Pessoal (PCE) de janeiro será divulgado na sexta-feira. Ambas as medidas serão cruciais numa altura em que pairam dúvidas sobre a economia norte-americana após o desapontante último relatório de emprego.
O PCE, indicador preferencial da Reserva Federal (Fed), será particularmente importante. O consenso prevê que a inflação medida pelo PCE ronde os 2,8% para a taxa geral e os 2,7% para a taxa de janeiro. No entanto, Javier Molina, analista sénior de mercados da eToro, sublinha que a subida dos preços do petróleo “introduz uma clara assimetria nos riscos, porque se a energia continuar a ficar mais cara”, isso “poderá dificultar o processo de desinflação e atrasar o início dos cortes nas taxas de juro”.
Entre os movimentos do mercado, a Boeing perdeu mais de 3%, depois de a empresa ter revelado que uma falha técnica encontrada no 737 Max irá atrasar algumas entregas desta aeronave.
A Hewlett-Packard Enterprise impressionou pelos seus resultados, superando as previsões de receitas. Os resultados de outras empresas, como a Adobe e a Kohl’s, serão divulgados ao longo da semana.
Mas o principal evento corporativo dos próximos dias acontece hoje, com a divulgação dos números da Oracle depois do mercado fechar. O relatório da empresa fundada por Larry Ellison é particularmente importante, uma vez que ajudará a avaliar os gastos com infraestruturas de inteligência artificial (IA), bem como a rentabilidade desses investimentos — riscos que preocupam cada vez mais os mercados.
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