Gigafábrica de IA em Sines terá suporte em Abrantes
A reunião de kick-off da iniciativa AI Gigafactory Portugal foi realizada esta semana em Lisboa e reuniu um conjunto alargado de 80 empresas (Portugal, Europa, Reino Unido e Estados Unidos) do ecossistema tecnológico, científico e financeiro. O Banco Português de Fomento lidera o Consórcio de Portugal nesta candidatura, que poderá mobilizar um investimento ibérico superior a oito mil milhões de euros, com potencial para gerar um impacto económico estimado em cerca de 3% do PIB e reforçar a atração de investimento direto estrangeiro. Portugal juntou-se a Espanha, mas cada país terá a sua operação. Houve 76 aplicações entregues em Bruxelas para as cinco gigafábricas de Inteligência Artificial na União Europeia no âmbito da iniciativa coordenada pela EuroHPC Joint Undertaking. O concurso irá abrir no próximo mês de abril e a decisão final será revelada em setembro.
O Jornal Económico sabe que além de Sines, também Abrantes terá uma gigafábrica, que funcionará como redundância (embora Lisboa não esteja ainda excluída). Abrantes é considerada pelo consórcio um polo secundário excecional, com rápido acesso ao mercado e proximidade ao centro demográfico. Do lado espanhol, a decisão passa por Terragona, com redundância em Madrid.
A futura IA Gigafactory deverá contar com uma capacidade instalada próxima dos 150 megawatts de computação, suportada por mais de 100 mil GPUs de última geração, permitindo disponibilizar serviços avançados de IA a empresas, universidades, centrosg de investigação e entidades públicas. Pela sua dimensão, será um dos poucos projetos desta escala atualmente previstos no espaço europeu. As primeiras unidades de computação poderão estar operacionais no final de 2027, estando prevista a entrada em funcionamento total até meados de 2028. Quando estiver operacional, a gigafábrica deverá ser considerada um ativo estruturante da economia portuguesa, com impacto transversal em vários setores e na criação de emprego qualificado.
O projeto assenta em várias vantagens estruturais da economia portuguesa, nomeadamente o acesso privilegiado a cabos submarinos internacionais, a disponibilidade de energia renovável a preços competitivos, condições naturais favoráveis ao arrefecimento de infraestruturas intensivas em energia e um ecossistema científico e tecnológico em crescimento. Estas condições colocam Portugal numa posição favorável para acolher estruturas críticas de computação, num contexto em que a capacidade de processamento se tornou um fator determinante de competitividade económica, comparável às grandes infraestruturas energéticas ou logísticas.
A gigafábrica está a ser montada num modelo de investimento públicoprivado, com envolvimento do Estado através do Banco Português de Fomento, tanto ao nível da participação no capital como da aquisição direta de serviços de IA. Este modelo permite alinhar o investimento nacional com os instrumentos europeus de apoio à inovação e à autonomia estratégica.
Para além do impacto económico direto, o projeto visa garantir capacidade soberana de Inteligência Artificial, assegurando que o Estado, a Administração Pública e o sistema científico nacional dispõem de acesso a estruturas críticas num domínio cada vez mais estratégico.
A NVIDIA, líder mundial em computação acelerada, participa no projeto como parceira tecnológica, apoiando o fornecimento de hardware e serviços especializados. Paralelamente, o consórcio tem recebido manifestações de interesse de empresas nacionais e internacionais de setores como a indústria avançada, saúde, farmacêutica, defesa ou tecnologia. A expetativa é que funcione como um efeito âncora, atraindo investimento privado adicional e acelerar o desenvolvimento de novos produtos e serviços baseados em IA.
O projeto insere-se na Estratégia Nacional de Inteligência Artificial, aprovada em dezembro de 2025, e está alinhado com os objetivos europeus de autonomia estratégica, inovação e crescimento económico sustentado. A ambição é clara segundo o Ministro Gonçalo Saraiva Matias, “transformar Portugal num hub europeu de IA, capaz de competir à escala global e de gerar valor duradouro para a economia nacional”.
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