Empresas portuguesas em contrarrelógio: Diretiva Europeia de transparência salarial chega em junho
A contagem decrescente para uma mudança profunda no mercado de trabalho já começou. Até 7 de junho de 2026, Portugal terá de transpor a nova Diretiva Europeia sobre Transparência Salarial, uma norma que promete abalar a cultura de “segredo” nas organizações.
A propósito disto a Factorial, plataforma de operações comerciais alimentada por Inteligência Artificial (IA), fez um estudo onde conclui que a maioria das empresas ainda não está preparada para o impacto operacional e cultural que se avizinha.
O fim dos salários “sob consulta”
A partir de junho, as regras do jogo mudam. Antes mesmo da contratação, as empresas serão obrigadas a divulgar os intervalos salariais para as funções em aberto. Além disso, os atuais colaboradores ganham o direito de aceder a informações sobre os níveis médios de remuneração na empresa, com base em critérios que devem ser objetivos e neutros em termos de género.
Para as organizações com mais de 100 colaboradores, a pressão é ainda maior, passando a existir obrigações formais de reporte sobre disparidades salariais entre homens e mulheres.
Em Portugal, a desigualdade salarial significa que as mulheres trabalham cerca de 45 dias por ano sem remuneração equivalente. A conclusão resulta também do novo guia desenvolvido pela Factorial.
A nova norma obriga empresas a justificar diferenças salariais e a acabar com o segredo sobre remunerações.
O retrato da desigualdade em Portugal
Em Portugal, a disparidade salarial base situa-se nos 12,5% (acima da média europeia de 11,1%). No setor privado, o cenário é mais crítico, com o hiato a chegar aos 21,7%. Na prática, isto significa que as mulheres portuguesas trabalham cerca de 45 dias por ano sem remuneração equivalente à dos seus colegas masculinos.
Inês Teixeira, Brand & Content Manager da Factorial, sublinha que a transparência deixou de ser opcional. “As empresas que começarem a preparar-se agora terão uma transição mais estruturada, enquanto as que deixarem para mais tarde podem enfrentar riscos legais, reputacionais e dificuldades operacionais”, afirma.
O desafio é particularmente exigente para as médias empresas (entre 100 e 250 funcionários), que terão de rever funções, consolidar dados e formalizar políticas que, até agora, eram pouco claras.
Apesar do esforço logístico, o guia da Factorial aponta benefícios a longo prazo. As empresas que integrarem a transparência tendem a reforçar a confiança das equipas, melhorar a retenção de talento e destacar-se como empregadores credíveis num mercado cada vez mais competitivo.
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