A carregar agora

Impacto da Guerra do Golfo é “quase impossível” de estimar, destaca Generali AM

Impacto da Guerra do Golfo é “quase impossível” de estimar, destaca Generali AM

A Generali AM decidiu manter a sua previsão de apenas mais um corte de juros, não antes de setembro, pela Reserva Federal norte-americana (Fed). O economista sénior da Generali AM, Paolo Zanghieri, considerou, na sequência da decisão da Reserva Federal norte-americana (Fed), em manter as taxas de juro inalteradas, na quarta-feira, que o impacto da Guerra do Golfo é “quase impossível” de estimar.
“Face à tensão entre a elevada inflação e as fragilidades do mercado de trabalho, e à incerteza criada pela Guerra do Golfo, a Fed mantém a sua política monetária inalterada, sem alterações na trajetória das taxas de juro. No entanto, a revisão em alta das estimativas da taxa neutra e o forte indício de que novos cortes exigem provas sólidas de desinflação deram um ligeiro tom mais agressivo à reunião”, salientou o economista.
O economista da Generali AM acrescentou que o impacto da Guerra do Golfo é “quase impossível” de estimar, recordando o lembrete deixado pelo presidente da Fed, Jerome Powell, de que o crescimento “continua saudável” (as projeções foram revistas em alta) e que, nos últimos cinco anos, a economia norte-americana tem “resistido bem” a vários choques adversos.
“Com a política monetária apenas marginalmente restritiva, o FOMC [órgão da Fed responsável por decisões de política monetária] considera-se numa posição favorável”, sublinhou Paolo Zanghieri.
O economista da Generali AM referiu que num cenário em que Kevin Warsh [indicado por Donald Trump para suceder a Jerome Powell à frente da Fed] ainda não tenha a aprovação do Senado até maio, Jerome Powell manter-se-á como presidente pro tempore [por um tempo]. “De qualquer forma, não deixará o FOMC antes da conclusão da investigação contra ele”, referiu o economista.
Generali mantém previsão de um corte nos juros pela Fed
Para Paolo Zanghieri o choque petrolífero e a incerteza quanto ao momento exato da transmissão das tarifas sobre a inflação “obscurecem as provas necessárias” para que o FOMC continue a normalizar as taxas. “Mantemos, por isso, a nossa previsão de apenas mais um corte de juros, não antes de setembro”, referiu o economista sénior da Generali AM.
“Numa reunião marcada pela incerteza sobre as consequências da guerra com o Irão para a economia, a Fed manteve as taxas de juro inalteradas, mas sinalizou um aumento estrutural, impulsionado pela produtividade, na tendência de crescimento, o que, no entanto, não deverá ter impacto na inflação e apenas afetará marginalmente a taxa de desemprego. Espera-se que uma maior produtividade também eleve a taxa de juro diretora”, considerou Paolo Zanghieri.
O economista da Generali AM diz ainda que o impacto dos elevados preços da energia e de um possível impacto prolongado das tarifas nos preços dos bens “refletiu-se devidamente” no aumento das projeções de curto prazo para a inflação subjacente e para a inflação geral.
“Em consonância com a visão de que um banco central deve ignorar um choque petrolífero adverso, a projeção mediana para a trajetória da taxa de juro diretora manteve-se inalterada face a dezembro, mas o balanço de riscos inclinou-se claramente para uma inflação mais elevada e um crescimento e emprego mais fracos”, acrescentou o economista.
Paolo Zanghieri referiu ainda que o comunicado de imprensa [da Fed] apresentou “poucas alterações” para além do reconhecimento de que o mercado de trabalho estabilizou.
“Apenas o Governador [da Fed], Stephen Miran, como era de esperar, discordou da decisão, defendendo um corte. Os pontos continuaram a refletir a grande incerteza sobre o percurso político apropriado e, como salientou Jerome Powell, a distribuição tornou-se um pouco mais conservadora, com oito membros a defenderem a ausência de cortes (ou mesmo aumentos) das taxas de juro em 2027″, acrescentou Paulo Zanghieri.
O economista da Generali AM destacou também que a sessão de perguntas e respostas, relativamente à reunião da Fed, foi dominada por questões sobre o impacto da subida dos preços do petróleo e as possíveis consequências para a economia. “Como esperado, Jerome Powell, não se estendeu muito. É muito cedo para fazer uma avaliação, pois ninguém sabe a dimensão e a duração da crise. O FOMC terá muito mais informação até à próxima reunião, daqui a seis semanas. No entanto, Powell recordou que, nos últimos seis anos, a economia norte-americana demonstrou grande resiliência a uma série de choques adversos de oferta e ao forte aumento da taxa de juro diretora”, salientou Paolo Zanghieri.
“A atividade económica está a expandir-se de forma sólida, sendo o sector imobiliário o único ponto fraco”, disse o economista.
“O aumento da produtividade está a ajudar e o FOMC atribui isso ao investimento na poupança de mão-de-obra e às mudanças na forma como as pessoas trabalham, implementadas durante e após a pandemia. É demasiado cedo para avaliar o impacto da IA ​(inteligência artificial) e Jerome Powell alertou que os períodos de crescimento persistentemente elevado da produtividade são raros e frequentemente revistos em baixa. Apesar da sólida perspetiva de crescimento, a criação de emprego estagnou. Como a restrição à imigração praticamente paralisou o crescimento da força de trabalho, o desemprego pouco se alterou desde Setembro. O mercado de trabalho está em equilíbrio, mas Jerome Powell realçou que não é um equilíbrio confortável e que persistem grandes riscos de queda”, acrescentou o economista sénior da Generali AM.
Paolo Zanghieri referiu que o FOMC “continua incerto” sobre quanto tempo levará para que o aumento do nível de preços deixe de ser considerado no cálculo da inflação. “O impacto das tarifas na inflação continua a ser o foco mais importante da Fed e a possibilidade de esta, em última análise, ignorar o choque petrolífero depende disso e da consideração de que a inflação ultrapassou a meta durante cinco anos, o que em algum momento poderá levar as expectativas a desancorar”, acrescentou.
“A política monetária mantém-se na fronteira entre o neutro e o restritivo, uma vez que a taxa de juro diretora está dentro do limite superior das estimativas neutras: o FOMC sente-se na posição correta, pois consegue equilibrar a forte tensão entre inflação e desemprego. Jerome Powell realçou que qualquer novo corte na taxa de juro estará estritamente condicionado a sinais de desinflação. Mas “estagflação” é uma palavra demasiado forte para caracterizar a situação atual”, afirmou Paolo Zanghieri.
“Mantemos a nossa previsão de um novo corte, a realizar não antes de setembro. Powell reiterou a necessidade de fortes evidências de desinflação, e o choque do preço do petróleo impede a clareza. O novo presidente, desde que passe pelo escrutínio do Senado num prazo razoável, dificilmente convencerá rapidamente o resto do FOMC da necessidade de cortar as taxas rapidamente. Sem notícias significativas vindas dos dados e, sobretudo, com a incerteza da Guerra do Golfo, a reunião foi, no geral, previsível. A yield dos títulos com maturidade a dois anos subiu ligeiramente (três pontos base) e o índice S&P atingiu o mínimo do dia após a divulgação da notícia”, acrescentou Paolo Zanghieri.

Share this content:

Publicar comentário