CEOs assumem comando da IA: Investimento das empresas vai duplicar em 2026
A Inteligência Artificial passou de projeto tecnológico a prioridade estratégica, com os líderes mundiais a apostarem a sua continuidade no cargo no sucesso da implementação, realça o relatório da Boston Consulting Group (BCG)
A Inteligência Artificial (IA) deixou de ser uma tendência de bastidores para se tornar o motor central da estratégia corporativa. Segundo o recente relatório “BCG AI RADAR 2026”, as empresas preparam-se para duplicar o investimento nesta tecnologia, que deverá saltar de 0,8% para 1,7% da receita anual já este ano.
O estudo, que inquiriu mais de 2.300 executivos a nível global, destaca uma mudança de paradigma na liderança: 72% dos CEOs afirmam agora ser os principais decisores em temas de IA — o dobro do registado no ano anterior.
O entusiasmo é evidente, mas vem acompanhado de pressão. Enquanto 82% dos CEOs se mostram otimistas quanto ao retorno financeiro, metade dos líderes admite que a sua própria permanência no cargo pode depender do sucesso da implementação da IA. Até 2028, 90% acreditam que a tecnologia terá redefinido totalmente os critérios de sucesso empresarial.
Eduardo Bicacro, Managing Director & Partner da BCG em Lisboa, reforça esta visão: “A IA deixou de ser uma iniciativa tecnológica para passar a ser uma prioridade estratégica liderada pelo CEO. O sucesso depende de alinhar a estratégia, reinventar processos críticos e garantir o talento necessário”.
O investimento não é uniforme. A Tecnologia e a Banca lideram a corrida, alocando cerca de 2% das receitas, enquanto a Indústria e o Imobiliário mantêm uma postura mais cautelosa (0,8%).
A confiança no impacto da IA revela um fosso cultural e económico. Na Índia (76%) e na China (73%), o otimismo é elevado. Já nas economias ocidentais, como o Reino Unido (44%) e os EUA (52%), a adoção parece ser impulsionada mais pela pressão competitiva do que por uma crença plena em resultados imediatos.
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