EUA avisam Europa: sem acordo comercial não vai haver gás americano
Os Estados Unidos deixaram um sério aviso à Europa esta segunda-feira, 23 de março: sem acordo comercial não vai haver gás americano a chegar ao Velho Continente.
Quatro anos após a invasão russa da Ucrânia e do fecho da torneira de gás russo, a complicada relação entre a Europa e os EUA leva Bruxelas a desejar uma maior eletrificação da sociedade para não ficar dependente de estados estrangeiros.
O Parlamento Europeu vota na quinta-feira sobre o acordo comercial com os EUA, que inclui o gasto europeu em 750 mil milhões de dólares em produtos energéticos dos EUA: gás líquido, petróleo e tecnologias nucleares civis.
“Não sei o que vai acontecer com a energia, se não avançarem com o acordo. Se não for implementado, estamos de volta à estaca zero. Não sei em que direção vamos”, disse o embaixador dos EUA junto da União Europeia.
“Penso que os EUA vão continuar a fazer negócios com a Europa, mas talvez as condições não sejam tão favoráveis. O ambiente certamente não será favorável. E existem outros compradores por aí”, afirmou Andrew Puzder ao “Financial Times”.
A ratificação do acordo tem sofrido vários atrasos, incluindo as ameaças de Donald Trump de invasão à Gronelândia.
O aviso de Washington chega na pior altura possível para a Europa que tem visto os preços do gás a disparar devido à guerra Irão-EUA/Israel.
As cargas de gás natural em todo o mundo estão a ficar mais disputadas com o fecho da torneira no Médio Oriente causada pelo bloqueio do estreito de Ormuz pelo Irão e pelo ataque a infraestruturas cruciais de produção.
“Pessoalmente, penso que os europeus deviam gastar um bilião de dólares em energia porque não é um compromisso de que vão comprar esta energia, é um compromisso em como vamos vender-lhes esta energia. Se vão sobreviver economicamente, precisam de energia e os EUA conseguem fornecer. Gostava de ter o tipo de relação em que somos encorajados em fazê-lo”, afirmou na entrevista.
O embaixador também quer ver eliminada uma regra europeia que obriga os exportadores para a Europa a declarar as suas emissões poluentes de metano, porque as companhias americanas não iriam conseguir cumprir.
O acordo, com poucas vantagens para a Europa, alcançado no campo de golfe de Donald Trump na Escócia em 2025, prevê uma tarifa de 15% à maioria das exportações europeias para os EUA, com a UE a eliminar as suas próprias tarifas em bens industriais e alguns produtos agrícolas para zero.
Os eurodeputados incluíram cláusulas de salvaguarda no acordo comercial que preveem a sua suspensão se Trump ameaçar impor novas tarifas à Europa e se não restaurar as exceções previstas, como para diamantes e cortiça.
Mas o acordo final ainda terá de ser negociado com os estados-membros que deverão resistir às alterações.
O comissário europeu para o comércio Maros Sefcovic já veio defender que o acordo assinado na Escócia deve ser cumprido integralmente.
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