“Mercados começam ajustar-se a conflito mais prolongado”, sublinha analista da ActivTrades
Esta segunda-feira, os mercados financeiros em todo o mundo abriram no vermelho, devido ao agravar do conflito no Médio Oriente. As quedas são significativas, como aconteceu nas bolsas asiáticas, que encerraram o dia com perdas superiores a 3%, e no caso do índice sul-coreano desvalorizou mais de 6%. Por outro lado o petróleo e o gás natural valorizam.
Para o analista da ActivTrades, Henrique Valente, estas novas desvalorizações nas bolsas são sinal de que os mercados “começam a se ajustar a um conflito mais prolongado”, com “implicações mais duradouras” para a inflação e para a trajetória da política monetária.
“O Presidente dos Estados Unidos lançou um ultimato ao Irão, ameaçando destruir infraestruturas energéticas caso o estreito de Ormuz não reabra, agravando a disrupção numa das principais rotas globais de petróleo. O Brent mantém-se próximo de máximos recentes, refletindo um choque de oferta significativo que começa a pressionar a inflação, enquanto vários países tentam mitigar o impacto do aumento dos preços da energia. Em contraciclo com o seu estatuto de refúgio, o ouro e a prata caem, pressionados pela necessidade de liquidez e pela subida das expectativas de taxas de juro”, referiu Henrique Valente.
EUA deram prazo de 48 horas para abrir Estreito de Ormuz
Durante o fim-de-semana o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deu 48 horas para que o Estreito de Ormuz fosse aberto ameaçando que se tal não fosse feito atacaria as infraestruturas energéticas iranianas. O prazo termina às 03h14 de 24 de março (horas iranianas), pelas contas da BBC.
A ameaça foi transmitida por Donald Trump através da rede social Social Truth, onde o governante norte-americano referiu que se o Irão “não abrisse completamente, sem ameaças” o Estreito de Ormuz, em 48 horas, os Estados Unidos iriam “atacar e destruir” as suas centrais de energia, começando pela maior.
Em resposta à ameaça de Donald Trump o exército iraniano anunciou no domingo que atacaria as infraestruturas energéticas e as instalações de dessalinização de água na região, caso Donald Trump concretize as ameaças de destruir as centrais elétricas iranianas.
“Se a infraestrutura petrolífera e energética do Irão for atacada pelo inimigo, todas as infraestruturas energéticas, de tecnologia da informação e de dessalinização de água pertencentes aos Estados Unidos e ao regime da região serão alvo de ataques”, declarou o porta-voz do comando operacional do exército, Khatam al-Anbiya, num comunicado publicado pela agência Fars.
A fonte não especificou a que “regime” se referia.
Irão encerraria Estreito de Ormuz se existissem ataques a infraestruturas energéticas
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que o Irão encerraria o Estreito de Ormuz se o Presidente norte-americano, Donald Trump, avançasse com a ameaça de atacar as centrais iranianas caso o país não abra o Estreito de Ormuz em 48 horas.
Num comunicado, transcrito pela agência noticiosa Reuters, a Guarda Revolucionária referiu que as empresas com ações norte-americanas seriam “completamente destruídas” se as instalações iranianas fossem atacadas pelos Estados Unidos, como ameaçou Donald Trump, acrescentando que as instalações energéticas em países que possuam bases norte-americanas seriam alvos “legais”.
Estreito de Ormuz está aberto exceto a inimigos do Irão
O Irão afirmou que o Estreito de Ormuz está aberto a toda a navegação, exceto a embarcações que estão ligadas aos “inimigos do Irão”, assinalou a agência noticiosa Reuters, tendo por base relatos de meios de comunicação iranianos que citam o representante do Irão na agência marítima da Organização das Nações Unidas (ONU), Ali Mousavi.
A Reuters salientou que Ali Mousavi referiu que o Irão vai continuar a cooperar com a Organização Marítima Internacional no sentido de melhorar a segurança marítima e proteger os marinheiros no Golfo, adiantando também que as embarcações que não pertençam aos “inimigos do Irão” podem atravessar o Estreito de Ormuz coordenando as medidas de segurança com o Irão.
Ali Mousavi, em declarações transcrita pela mesma agência noticiosa, salientou que apesar da “diplomacia continuar a ser a prioridade” do Irão, uma cessação completa da agressão bem como a confiança mútua “são mais importantes”.
Índices entram em território de correção
O conflito no Médio Oriente tem afundado das bolsas mundiais. A semana passada o Russell 2000 já tinha entrado em território de correção, ou seja uma queda superior a 10%, em comparação com um pico. Esta segunda-feira foi a vez do europeu Stoxx 600 e do FTSE 100 (Reino Unido) entrarem em correção. E durante o dia de hoje os índices norte-americanos Nasdaq e Dow Jones podem entrar neste território, tendo em conta que contam com descidas de 9,8% e 9,5%.
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