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Dinamarca: primeira-ministra não consegue reforçar peso político

Dinamarca: primeira-ministra não consegue reforçar peso político

O Partido Moderado, centrista, liderado pelo até agora ministro dos Negócios Estrangeiros Lars Lokke Rasmussen, que ocupou anteriormente o cargo de primeiro-ministro, viu reforçado o seu papel no equilíbrio tripartido que deverá sair das eleições antecipadas na Dinamarca, que decorreram esta terça-feira. Numa altura em que ainda não havia uma contagem total dos votos, era já claro que a primeira-ministra Mette Frederiksen dificilmente conseguirá atingir os seus objetivos: reforçar a posição do ‘seu’ Partido Social Liberal, livrando-o do ‘colete de forças’ das coligações.
À hora em que foram apurados os últimos resultados, o bloco de esquerda estava em posição de paridade com os sociais-liberais – com uma ligeira desvantagem – o que confere aos moderados a possibilidade de decidir, pelo seu apoio, como será o figurino do próximo governo dinamarquês.
No limite, as eleições podem ter sido pura perda de tempo: é bem possível que tudo fique na mesma e que o país continue a ser governado por uma coligação exatamente idêntica à atual: o Partido Social Liberal, que lidera o governo desde meados de 2019, o Partido Liberal, liderado pelo atual ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, e o Partido Moderado, centrista, de Rasmussen.
De acordo com as sondagens à boca das urnas, os blocos de esquerda e direita não conseguiram obter maioria, e os social-democratas de Mette Frederiksen devem ter o pior desempenho desde 1901, deixando Rasmussen na posição de fiel da balança.
As tensões provocadas pela investida norte-americana – cujos contornos estão longe de estar esclarecidos, mas vacilam entre a compra do território e uma aliança que coloque o poder na Gronelândia sob a alçada de Washington – levaram a primeira-ministra a optar pela dramatização do quadro político. “Já não são os nossos aliados mais próximos”, disse Mette Frederiksen, durante um debate televisivo frente ao ministro Troels Lund Poulsen, transformado em adversário eleitoral. E elegeu o Canadá como os ‘novos amigos’ do país escandinavo.
Mas as sondagens indicavam que a estratégia sortiu pouco efeito: o SD agregava intenções de voto que lhe conferiam uma posição de 20% – abaixo do pico 23% que assegurava há 12 meses atrás, se bem que um pouco melhor que os 18% registados em dezembro.
O ato eleitoral decorreu quase com normalidade: segundo o jornal ‘The Guardian’, o ministro dinamarquês da Infância e Educação, Mattias Tesfaye, teve de recorrer a um expediente para conseguir votar dado que, revelou, o seu cão, chamado Mango, comeu-lhe recentemente o seu cartão de eleitor. Como também já foi ministro da Justiça (e ainda ministro da Imigração e Integração), tinha com certeza contactos suficientes para ultrapassar a situação!

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