Gonçalo Regalado: “Vamos fazer dívida em modelo de sindicato (co-lending) com os nossos parceiros da banca”
CEO do Banco Português de Fomento, na conferência de apresentação do Conselho Estratégico, traçou as metas para 2026 e 2028. “Sabemos que Portugal continuará a ter um forte efeito multiplicador das garantias e sabemos que os 30 mil milhões de euros de garantias são o músculo de acesso ao crédito e ao financiamento das empresas em Portugal. Sabemos que temos de multiplicar esse valor, mas também temos de ser um banco da resiliência, o que se cifra nos 3,5 mil milhões de euros que estão hoje ao dispor das empresas no âmbito do projeto da construção e nas novas subvenções para a construção. Mas também nos afirmamos como o banco da habitação. Teremos 4 mil milhões de euros para garantir que temos capacidade de apoiar todo o setor, tanto o público como o privado”, disse Gonçalo Regalado.
“Temos de continuar com o BEI e com o FEI a ser um banco de inovação. No FEI e no BEI temos o maior portfólio da Europa, no valor de 7 mil milhões de euros” acrescentou, sublinhando que “vamos continuar a ser um banco de revolução digital”. Citou ainda o projeto da primeira gigafactory europeia de IA e a ambição de posicionar Portugal como hub digital.
Reforçar o investimento nas empresas, quer através de garantias, quer através de capital, está nos planos de Gonçalo Regalado. “Reforçar o investimento nas empresas com o novo fundo de fundos de capital e reforçar o investimento com subvenções a fundo perdido”, afirmou.
“Impulsionar as exportações com garantias de crédito, seguros de crédito, garantias financeiras para o trade finance e toda a máquina de financiamento ao crédito exportador” é outro dos objetivos do BPF.
O CEO quer voltar a acelerar as exportações de bens e de serviços, nomeadamente do turismo.
A terceira prioridade, segundo o presidente do BPF, é “apoiar a resiliência do país, com as linhas de apoio à reconstrução, com os programas PRR e, provavelmente, com o novo programa PTPRR, e com os projetos estruturais de infraestruturas”.
“Vamos ter a novidade de fazer também dívida em modelo de sindicato (co-lending), com os nossos parceiros da banca. Não faremos financiamento direto às empresas sem um parceiro bancário”, garantiu.
“Não vamos ceder nem no rigor, nem na prudência, nem no acompanhamento das empresas”, sublinhou o CEO.
O BPF tem ainda como meta impulsionar os setores estratégicos, em particular a habitação, a agricultura e a energia. “Temos 4 mil milhões de euros para as linhas de habitação, para as estratégias locais de habitação em parceria com as Câmaras Municipais e com todo o ecossistema da Coesão Territorial”, disse Gonçalo Regalado, que defendeu “parcerias público-privadas para a habitação com os promotores privados e também linhas com o BEI para essa dimensão”.
“Seremos também ousados ao criar capacidade de garantias para cooperativas de habitação, que permitam a vários aglomerados conseguir, com uma garantia pública, o financiamento dos seus projetos estruturais”, acrescentou.
O CEO falou ainda em mais de mil milhões de euros para apoiar os setores da agricultura e da energia, “para que se tornem setores de maior valor acrescentado para as nossas empresas”.
“Como estaríamos hoje com a atual volatilidade do preço dos combustíveis se não tivéssemos quase 75% de consumo de energia renovável?”, questionou, para depois afirmar: “Temos de continuar a ser um país mais verde”.
“Queremos inovar para servir as empresas, com as garantias do FEI, com novas garantias de curto prazo, em particular com os instrumentos de factoring, confirming e trade finance, para contas correntes e descobertos…”, disse, lembrando que as empresas também vivem do curto prazo. Por isso, o banco terá novos modelos de garantias para as empresas.
“Queremos lançar no segundo semestre o Fundo de Fundos”, revelou o CEO, que anunciou ainda a intenção de dinamizar a revolução digital, liderando e sendo acionista da candidatura de Portugal à gigafactory ibérica.
O Banco Português de Fomento (BPF) lidera o consórcio português na candidatura para instalar uma das cinco Gigafábricas de Inteligência Artificial (AI Gigafactories) previstas pela União Europeia, no âmbito do programa EuroHPC. O projeto foca-se na criação de um grande centro de dados dedicado ao treino de modelos de IA, com planos para a sua instalação em Sines.
“Desenvolver no digital a capacidade de login para que cada empresa tenha acesso a todos os produtos do Banco de Fomento e do Grupo ao seu dispor” é outra das metas. O banco quer criar soluções que o liguem à banca comercial, aos fundos e aos seguros, ou seja, a todo o ecossistema financeiro de apoio ao investimento.
“Temos a ambição de valer, nos próximos três anos, 12,5% do PIB nas garantias, nas subvenções, no investimento, no financiamento e no capital”, rematou.
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