Oxford Economics revê em baixa as perspetivas da Zona Euro devido ao encerramento do Estreito de Ormuz
A consultora Oxford Economics atualizou as suas previsões macroeconómicas para a Zona Euro, assumindo agora que o Estreito de Ormuz permanecerá intransitável até maio. Esta disrupção no principal corredor de exportação de petróleo e gás do Golfo Pérsico está a provocar uma forte subida nos preços da energia, o que levará a uma inflação mais elevada e a um crescimento mais fraco na região.
De acordo com o cenário base da instituição, a inflação na Zona Euro deverá situar-se em média nos 2,9% este ano — quase o dobro dos 1,7% previstos em fevereiro. O principal motor é o aumento acentuado dos custos energéticos, com efeitos de contágio esperados também nos preços dos alimentos e na inflação nuclear.
“Vemos a inflação a atingir 2,9% este ano, quase o dobro da taxa de 1,7% que esperávamos em fevereiro, impulsionada principalmente por um aumento acentuado nos custos da energia”, afirmou Ángel Talavera, Economista-Chefe para a Europa da Oxford Economics. “A magnitude da subida dos preços da energia significa que esperamos alguns efeitos de spillover nos preços dos alimentos e na inflação core.”
Quanto ao crescimento, a Oxford Economics reduziu a previsão de PIB da Zona Euro para 0,8% este ano, face aos 1,1% estimados no mês passado. O impacto inicial sentir-se-á sobretudo nos consumidores, através de um choque adverso no rendimento real, com um efeito mais limitado no investimento.
À medida que a crise se intensifica, vários países da União Europeia estão a anunciar pacotes fiscais para mitigar os efeitos sobre famílias e empresas. No entanto, estes apoios são de menor dimensão e alcance do que os implementados durante a crise energética de 2021-2022. Se os pacotes forem ampliados, a política fiscal passará a ter um peso maior nas projeções de inflação e crescimento da Oxford Economics, devido ao efeito de compensação que proporciona.
“Na nossa nova baseline, consideramos que o Banco Central Europeu (BCE) subirá as taxas de juro em junho e julho para manter as expectativas de inflação ancoradas e para sinalizar que não está disposto a repetir os erros da crise energética de 2021-22”, concluiu Ángel Talavera. “Esperamos que o BCE reverta rapidamente estas subidas em 2027, mas se a crise se prolongar, aumentam os riscos de cortes de taxas mais profundos para compensar o impacto negativo no crescimento.”
As previsões da Oxford Economics estão sujeitas a revisões significativas nos próximos meses, devido à elevada incerteza quanto à duração e gravidade do conflito no Médio Oriente.
Share this content:


Publicar comentário