Setor energético reforça foco em investimentos rentáveis perante incerteza na transição energética
As empresas do setor energético estão a reforçar o foco em investimentos com maior viabilidade económica, num contexto de crescente incerteza geopolítica, regulatória e macroeconómica. De acordo com a mais recente edição do inquérito global de Energia e Recursos Naturais da Bain & Company, os líderes do setor continuam divididos quanto ao ritmo da transição energética e ao momento em que será atingido o pico da procura mundial de petróleo.. O estudo, que reuniu mais de 800 executivos a nível mundial (Portugal incluído) dos setores de Oil & Gas, utilities, químico, mineração e agroindústria revela que a conjuntura económica vai continuar a determinar o destino dos investimentos.
A maioria dos inqueridos acredita que a procura global de petróleo vai continuar a aumentar na próxima década, sustentando a continuidade dos investimentos em tecnologias ligadas aos combustíveis fósseis. As perspetivas relativas ao pico do petróleo variam significativamente por região. Entre os executivos europeus do setor de Oil & Gas, cerca de metade considera que a procura poderá atingir o seu pico antes de 2035, enquanto 41% dos inquiridos norte-americanos não preveem que o pico aconteça antes de 2050. Estas diferenças refletem prioridades distintas em termos de segurança energética, disponibilidade de recursos e enquadramento geopolítico.
Segundo a Bain, ao mesmo tempo, a evolução dos investimentos na transição energética revela uma crescente divergência entre as empresas. Na Europa, mais da metade das empresas energéticas já aloca uma parte significativa do capital – mais de 20% – a iniciativas ligadas à transição energética, uma proporção superior à que se verifica noutras regiões. Em Portugal, os executivos consultados refletem uma abordagem prudente, com foco na viabilidade económica das decisões de investimento e na adaptação ao enquadramento regulatório.
“Embora os executivos continuem focados em garantir acesso a energia limpa, acessível e fiável, observa-se um consenso crescente de que o calendário global da descarbonização poderá estender-se para além do inicialmente previsto”, afirmou Andrea Beccia, Sócio da Bain & Company. “A volatilidade dos mercados, a geopolítica e a incerteza regulatória influenciam cada vez mais as decisões de investimentos no setor”.
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