Álvaro Santos Pereira: “Se o conflito do Irão se prolongar, terá um impacto muito grande”
Álvaro Santos Pereira avisa que “se o conflito do Irão se prolongar, terá um impacto muito grande nos preços e na atividade económica de todo o mundo”. O governador do Banco de Portugal apresentou esta quarta-feira o boletim económico de março, que projeta agora um crescimento de 1,8% este ano, cinco décimas a menos do que esperava em dezembro, antes da guerra do Irão.
Para o próximo ano, o supervisor acredita agora que o país vai crescer 1,6% e, para 2028 antecipa uma subida de 1,8%.
Em relação à inflação, “deverá aumentar para 2,8% em 2026″, e não 2,1% como previra em dezembro, “refletindo o aumento das pressões de origem externa”.
O Banco de Portugal ressalva, no entanto, que este cenário pressupõe “uma duração relativamente limitada do conflito no Médio Oriente e efeitos contidos na confiança das famílias e empresas e nas cadeias de abastecimento globais”, e sinaliza que “a intensificação ou prolongamento das hostilidades teria um impacto mais significativo nos preços e na atividade”. Quanto? Em conferência de imprensa, Álvaro Santos Pereira afirmou que “o cenário base está bastante alinhado” com o do Banco Central Europeu e que, apesar de não ter sido calculado um cenário adverso, o governador indica que não andará muito longe do impacto esperado pelo BCE, de 0,4 pontos percentuais no PIB e de 1,8 p.p na inflação. Deverão ser “magnitudes mais ou menos parecidas”.
E agora? “Vai depender. Guerras são guerras e não vale a pena especularmos”, disse Álvaro Santos Pereira.
O Banco de Portugal sinaliza que o agravamento das tensões comerciais, aliado a uma maior concorrência global e a uma menor absorção do PRR este ano estão a criar pressão sobre o crescimento económico. Em sentido contrário, prevê que esses efeitos sejam mitigados pelo PTRR, pela aposta em defesa e infraestruturas na União Europeia e pelo impacto das novas tecnologias na produtividade.
Relativamente ao impacto das tempestades será de pelo menos 0,1 pontos percentuais no PIB. Álvaro Santos Pereira ressalva que se espera depois um investimento superior para reconstruir e “recuperar o capital perdido”.
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