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Líder da NATO irrita europeus com apoio à guerra de Trump

Líder da NATO irrita europeus com apoio à guerra de Trump

Anda uma irritação no ar entre os membros europeus da NATO e o líder da organização pelo apoio dado à guerra dos EUA contra o Irão.
Mark Rutte defendeu que os aliados europeus deveriam “juntar-se” para apoiar os EUA na reabertura do estreito de Ormuz, o que causou a irritação de vários países.
O ex-primeiro-ministro neerlandês tem mostrado posições muito próximas às de Washington e de Donald Trump ao longo do seu mandato.
“Coloca-nos numa posição muito estranha e desconfortável. Queremos mostrar apoio, mas não queremos estar envolvidos” na guerra, disse um diplomata europeu ao “Financial Times”.
“Trump está a fazer isto para tornar o mundo um lugar mais seguro. É apenas lógico que os países europeus demorem umas semanas para juntarem-se”, afirmou Mark Rutte recentemente sobre a criação de uma missão naval para reabrir o estreito de Ormuz.
Donald Trump, que tem sido um feroz crítico do multilateralismo, defendeu que os países aliados deviam apoiá-lo nos seus esforços para reabrir a via marítima por onde passava 20% do petróleo mundial.
A guerra lançada contra o Irão foi uma decisão unilateral dos EUA e de Israel, não se inserido no mandato nem das Nações Unidas, nem da NATO, nem tendo sido aprovado no Congresso norte-americano.
A atual crise energética é apenas uma das muitas consequências negativas da guerra, prevendo-se impactos negativos no crescimento económico e o aumento do custo de vida via inflação.
Trump foi duro nas suas críticas aos europeus, chamando-lhes “cobardes” e que a NATO sem os EUA era inofensiva.
Dos 27 estados-membros da União Europeia, apenas três não são membros da NATO. Entre os maiores países da UE, vários rejeitaram a entrada no conflito, incluindo Espanha, Alemanha e Itália.
“Esta não é a nossa guerra”, disse a chefe dos diplomatas da UE Kaja Kallas, resumindo o espírito europeu.
Ao “FT”, três diplomatas europeus de membros da NATO dizem estar preocupados com as divergências entre Mark Rutte e a maioria das capitais europeus. Apesar de não criticarem as ações de Trump, também não se querem envolver na guerra.
“Esta guerra é um desastre político. Isto é o que mais me frustra: uma guerra realmente desnecessária”, afirmou o presidente alemão Frank-Walter Steinmeier.
A atitude de Paris e de alguns países tem sido diferente, tendo mostrado vontade num envolvimento numa missão naval no estreito, mas quando a guerra acabar. No entanto, há críticas a chegar do Eliseu. Os EUA “estão a ficar imprevisíveis e nem sequer se incomodam a informar-nos quando decidem lançar operações militares, com impacto na nossa segurança e nos nossos interesses”, segundo o chefe do Estado Maior das Forças Armadas franceses, Fabien Mandon.
Os países do G7 reúnem-se em França na sexta-feira, onde o ministro da Defesa dos EUA Marco Rubio irá estar presente.
Mas há países que consideram que a guerra deve ser uma preocupação clara da Europa, dadas as consequências económicas negativas. “As consequências são nossas, o conflito também é”, segundo um alto responsável, com vários países europeus em contacto com países do Médio Oriente para tentar encontrar uma solução diplomática.
Por sua vez, a NATO oficialmente diz que a organização “não está envolvida na guerra com o Irão”, estando atenta aos desenvolvimentos.

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