Portugal teve um dos maiores aumentos de custos para construir casas novas na UE
Portugal ficou no ano passado em quarto lugar nos aumentos de custos de construção de novas casas a nível europeu, entre os 16 Estados-membros que têm dados atualizados no Eurostat. Com uma subida de 4% face a 2024, teve a mesma evolução do que a Lituânia (4%), só ficando atrás da Bulgária (+11,8%), da Roménia (6,9%) e da Eslovénia (4,4%).
Desde 2001, quando os dados de Portugal foram usados pelo Eurostat pela primeira vez, o país só tinha ocupado uma posição semelhante no ranking europeu em 2020. No primeiro ano da pandemia, o custo de construção de uma casa nova em Portugal foi também o 4.º que mais subiu, numa estatística que habitualmente reúne dados de 16 a 20 países (o Eurostat nunca teve números neste indicador para Bélgica, Irlanda, França, Croácia, Luxemburgo, Polónia e Eslováquia).
Para já, e ao contrário do que se passou entre 2021 e 2023, o problema não está nos materiais, que em janeiro subiam 1% (variação média anual), mas antes nos custos com a mão de obra: o aumento passou de cerca de 5%, antes da invasão da Ucrânia, para a casa dos 8% em 2024 e 2025, segundo o Instituto Nacional de Estatística (INE). Em janeiro, a variação média anual era de 7,7%.
Numa fase em que as construtoras têm falta de mão de obra, mas não têm mãos a medir, com o PRR à cabeça, a procura residencial continua elevada e a oferta está longe de acompanhar. Resultado: o preço das casas subiu mais 17,6% em 2025, o maior aumento anual desde, pelo menos, 2010. Em Lisboa, o valor médio do metro quadrado ultrapassou os 5.000 euros pela primeira vez. E este ano, há novas fontes de pressão, com a catástrofe na região Centro e a guerra no Irão.
No que diz respeito aos custos de construção de casas novas, já foi bem pior há não muito tempo: a partir do verão de 2021, este indicador escalou durante um ano e meio, atingindo um pico de 12,3% em janeiro de 2023 — primeiro, a reboque da crise das cadeias logísticas, ainda na pandemia, e, logo de seguida, com a invasão da Ucrânia, que fez disparar os custos da energia. O problema foi então agravado pelos custos dos materiais, que subiram 16% no final de 2022.
Nos anos seguintes, os custos foram abrandando progressivamente, mas, desde outubro de 2024, encetaram uma nova (e discreta) subida. Até ao ponto em que, à exceção daquele período turbulento da guerra da Ucrânia, é preciso recuar à crise financeira global de 2009 para encontrar variações mais elevadas.
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