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Antonio Di Giacomi: Queda no bitcoin reflete “realização de lucros”

Antonio Di Giacomi: Queda no bitcoin reflete “realização de lucros”

A queda de 3% do bitcoin para os 66.299 dólares, esta sexta-feira, está a refletir a realização de lucros, “num contexto em que o mercado permanece altamente sensível a fatores externos”, de acordo com o analista de mercado sénior da XS.com, Antonio Di Giacomo.
“O principal catalisador para a queda foi a crescente incerteza em torno do conflito entre os Estados Unidos, Israel e o Irão. Sinais contraditórios sobre um possível acordo de cessar-fogo criaram um ambiente cauteloso, reduzindo o apetite por ativos de risco e provocando saídas de capital para as criptomoedas. Globalmente, os mercados financeiros exibiram um comportamento defensivo”, disse o analista.
O analista destaca que os mercados bolsistas caíram, enquanto os preços do petróleo recuperaram e voltaram a aproximar-se dos seus níveis máximos. “Este cenário aumenta as preocupações inflacionistas e reforça as expectativas de políticas monetárias restritivas a longo prazo”, defendeu.
“A subida dos preços do crude, particularmente com o crude a rondar os 95 dólares por barril, mantém a pressão sobre os custos energéticos e aumenta a perceção de risco macroeconómico”, adiantou o analista da XS.com. Antonio Di Giacomo referiu que isso “afeta diretamente” ativos como o bitcoin, que tendem a “reagir negativamente” a ambientes de incerteza e menor liquidez.
“No âmbito regulatório, o mercado das criptomoedas enfrenta novos desafios. As dúvidas sobre o progresso da chamada “Lei da Clareza” nos Estados Unidos geraram incerteza entre os investidores, especialmente devido à falta de consenso entre os principais participantes do setor”, afirmou.
“As diferenças entre as instituições financeiras tradicionais e as empresas do ecossistema cripto, como a Coinbase, têm sido particularmente visíveis em torno de questões-chave como os rendimentos das stablecoins. Esta divergência complica a construção de um quadro regulatório claro e gera volatilidade adicional. Apesar da recente correção, o Bitcoin demonstrou uma resiliência notável em comparação com outros ativos tradicionais. Ao longo do conflito geopolítico, o seu desempenho relativo foi superior ao do ouro, reforçando a sua narrativa como um ativo alternativo em determinados contextos de mercado”, esclarece o analista.
Ao nível técnico, para Antonio Di Giacomo, a zona dos 68 mil dólares aos 69 mil dólares “está a emergir” como um
nível de suporte chave de curto prazo, enquanto a resistência imediata se localiza novamente em torno dos 71 mil dólares. “Os movimentos de preços dependerão em grande de fatores externos, como o desenvolvimento do conflito e a tendência do dólar”, explicou.
“Além disso, os indicadores de mercado refletem um sentimento misto. Embora persistam fluxos institucionais moderados, o volume de negociação apresentou alguma desaceleração, sugerindo uma fase de consolidação após a
volátil recente”, disse o analista.
Antonio Di Giacomo avançou que o bitcoin está a “atravessar um período de elevada volatilidade” marcado pela
interação entre fatores geopolíticos e regulatórios. “A incerteza no Médio Oriente e as dúvidas sobre o quadro legal nos Estados Unidos continuam a limitar o seu avanço a curto prazo. No entanto, a sua relativa resiliência face a outros ativos e o interesse estrutural no ecossistema cripto mantêm o seu potencial de valorização a médio e longo prazo, sempre condicionado por uma maior visibilidade macroeconómica e regulamentar”, disse.

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