IGCP prevê emitir 17,1 mil milhões em Obrigações do Tesouro e 600 milhões em ORTV até ao fim do ano
A Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP) divulgou hoje, 27 de março de 2026, a atualização do Programa de Financiamento da República Portuguesa para o segundo trimestre de 2026.
O IGCP prevê até ao fim do ano executar 19,6 mil milhões de euros de financiamento no mercado através de vários instrumentos. Em Obrigações do Tesouro estão previstas emissões que totalizem 17,1 mil milhões de euros. Em OTRV para o retalho o mapa divulgado pelo IGCP prevê emissões de 600 milhões de euros.
Já em dívida de curto prazo, Bilhetes do Tesouro, está previsto executar emissões que somem 3,2 mil milhões de euros. O saldo de tesouraria no fim do ano será de 5 mil milhões de euros.
O documento publicado pelo IGCP confirma que as necessidades líquidas de financiamento do Estado se mantêm inalteradas em cerca de 13 mil milhões de euros para o ano.
De acordo com a execução a final de fevereiro, as necessidades brutas de financiamento do Estado para 2026 estão estimadas em 28,4 mil milhões de euros.
O défice orçamental do subsetor Estado deverá situar-se nos 7,1 mil milhões, enquanto a aquisição líquida de ativos financeiros, incluindo refinanciamento de empresas públicas, ascende a 6,7 mil milhões.
As amortizações de dívida de médio e longo prazo totalizam 15,4 mil milhões de euros. As fontes de financiamento incluem o uso de depósitos e o financiamento durante o ano, que deverá atingir 29,1 mil milhões de euros. Até ao momento já foram executados 9,6 mil milhões, restando 19,6 mil milhões por realizar até ao final do ano.
O IGCP mantém o objetivo de emissões de Obrigações do Tesouro, excluindo operações de troca, em 24 mil milhões de euros para 2026. Até ao final de fevereiro tinham sido emitidos 7 mil milhões de euros em OT. Considerando o leilão de março, o montante já colocado sobe para 8,3 mil milhões de euros, o que representa 35% do objetivo anual.
Para o segundo trimestre, o IGCP prevê emissões de OT através de uma combinação de sindicatos e leilões, com colocações esperadas entre 1.250 e 1.500 milhões de euros por leilão.
O financiamento líquido através de Bilhetes do Tesouro deverá ter um impacto positivo de 5,1 mil milhões de euros em 2026, sem alteração face à estimativa inicial.
O calendário indicativo de leilões para o segundo trimestre é este: no dia 15 de abril de 2026 estão previstas reaberturas de BT17JUL2026 com 3 meses e de BT19MAR2027 com 11 meses, num montante indicativo entre 1.500 e 1.750 milhões de euros; a 20 de maio de 2026 realiza-se a reabertura de BT20NOV2026 com 6 meses e o lançamento de BT21MAI2027 com 12 meses, num montante entre 1.750 e 2.000 milhões de euros; por fim, a 17 de junho de 2026 estão agendadas a reabertura de BT20NOV2026 com 5 meses e de BT21MAI2027 com 11 meses, num montante entre 1.500 e 1.750 milhões de euros.
O documento refere ainda que o IGCP acompanhará ativamente a evolução das condições de mercado, podendo introduzir ajustamentos às atuais linhas de atuação.
O saldo de disponibilidades de Tesouraria no final de 2026 está projetado em 5 mil milhões de euros. A atualização do Programa de Financiamento mantém, portanto, a estratégia de financiamento do Estado definida no início do ano, refletindo a estabilidade das projeções orçamentais e de endividamento público para 2026.
Os leilões decorrerão à segunda ou quarta quartas-feira de cada mês, com participação dos Operadores Especializados de Valores do Tesouro e Operadores de Mercado Primário.
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