Imobiliário fecha 2025 em alta e entra em 2026 com procura resiliente
O mercado imobiliário português encerrou 2025 com sinais claros de robustez nos segmentos residencial, retalho e turismo, consolidando uma trajetória de crescimento sustentado num contexto internacional marcado por incerteza. Os dados mais recentes da Savills apontam para um setor que entra em 2026 com níveis de procura sólidos, embora pressionado pela escassez de oferta de qualidade e pela consequente subida de preços e rendas.
A leitura transversal dos três segmentos revela um país que continua a afirmar-se como destino atrativo para investimento, beneficiando de estabilidade económica e política relativa face a outros mercados europeus.
“A análise conjunta dos setores residencial, do retalho e do turismo revela um Portugal que se destaca pela sua resiliência e vitalidade num contexto global marcado pela incerteza. A força combinada destas três áreas confirma que o país continua a posicionar-se como um verdadeiro safe haven, capaz de enfrentar a turbulência macroeconómica e geopolítica com resultados sólidos e consistentes. Os indicadores atuais não deixam margem para dúvida: Portugal mantém um dinamismo que inspira confiança e projeta continuidade no seu ciclo de crescimento”, comenta Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal.
Habitação acelera com jovens a liderar procura
O segmento residencial destacou-se pelo aumento do número de transações e pelo reforço do crédito à habitação. Em 2025 foram transacionadas cerca de 163 mil casas, um crescimento de 9% face ao ano anterior e acima da média dos últimos cinco anos. O crédito à habitação atingiu 23,3 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde 2014.
Um dos dados mais relevantes prende-se com o perfil dos compradores: os jovens até aos 35 anos passaram a representar 60% dos novos empréstimos para aquisição de habitação própria, impulsionados por incentivos públicos.
Nas principais áreas urbanas, a pressão da procura continua a superar a oferta. Em Lisboa, venderam-se 9.613 casas, mais 11% em termos homólogos, com os preços da nova construção a atingirem uma média de 8.191 euros por metro quadrado — valor que sobe significativamente nos segmentos premium. Apesar de um ligeiro aumento da oferta, esta permanece insuficiente.
No Porto, o cenário é semelhante, embora com maior crescimento da oferta. As vendas aumentaram 7%, enquanto o número de novas unidades disponíveis cresceu 32%, refletindo a expansão para municípios limítrofes. Ainda assim, os preços mantêm-se elevados, com média de 5.205 euros por metro quadrado.
Retalho mantém dinamismo apesar de consumo prudente
No comércio, 2025 ficou marcado por um crescimento mais moderado, mas consistente. O volume de negócios aumentou 3%, sustentado pela desaceleração da inflação e pela estabilidade do emprego. Ainda assim, as famílias mantiveram uma postura cautelosa nas decisões de consumo.
Os centros comerciais registaram um aumento de 4,9% nas vendas e continuam a beneficiar de uma procura robusta, num contexto de oferta limitada. A moda permanece o principal motor de ocupação, seguida pela restauração, lazer e serviços, numa tendência que reforça a componente experiencial destes espaços.
Já no comércio de rua, a escassez de localizações prime continua a pressionar as rendas, sobretudo em Lisboa e Porto. As zonas mais centrais mantêm elevada procura, com espaços a serem rapidamente absorvidos por marcas nacionais e internacionais.
Para 2026, as perspetivas apontam para estabilidade nas rendas prime e para uma evolução do retalho cada vez mais centrada na experiência do consumidor, com reforço de serviços e integração entre físico e digital.
Rita Bueri, Head of Residential Lisbon da Savills Portugal, diz que “em Lisboa, o mercado residencial continua muito competitivo, com um ritmo elevado de transações e uma procura firme por produto novo e reabilitado nas zonas centrais. Vemos compradores portugueses com maior capacidade de investimento a partilhar o espaço com uma base diversificada de clientes internacionais, que continuam a escolher Lisboa pela combinação de qualidade de vida, estabilidade do mercado e potencial de valorização dos imóveis.”
Turismo consolida papel central e atrai investimento
O turismo voltou a afirmar-se como um dos principais motores da economia e do imobiliário. Em 2025, Portugal registou 32,5 milhões de hóspedes e mais de 82 milhões de dormidas, consolidando máximos históricos.
A taxa média de ocupação na hotelaria situou-se nos 67,9%, enquanto o RevPAR atingiu 84,7 euros, indicadores que refletem a consistência da procura internacional. O Reino Unido manteve-se como principal mercado emissor, seguido pela Alemanha e Espanha, com destaque para o crescimento dos Estados Unidos e Canadá.
Lisboa, Porto e Algarve concentraram a maior parte da atividade, com a capital a registar os níveis mais elevados de ocupação e receita por quarto.
O investimento em hotelaria atingiu 494 milhões de euros, maioritariamente de origem internacional, reforçando o posicionamento de Portugal como destino seguro para investidores.
Para 2026, antecipa-se a continuidade desta dinâmica, com foco crescente na requalificação de ativos existentes e na valorização de localizações com potencial.
Joaquim Cunha Reis, Investment & Hospitality Senior Consultant da Savills Portugal, conclui que “os indicadores operacionais registados em 2025 confirmam a solidez dos fundamentais do setor turístico, evidenciando níveis consistentes de ocupação e um crescimento sustentado do RevPAR, suportados por uma procura internacional diversificada. Neste contexto, e num enquadramento geopolítico global favorável a destinos considerados seguros, como Portugal, o país afirma-se
como um destino de eleição para investimento em 2026, tanto em mercados já consolidados como em localizações com potencial de reposicionamento e criação de valor acrescido.”
Escassez de oferta desafia crescimento
Apesar do desempenho positivo, o setor enfrenta desafios estruturais. A falta de oferta de qualidade, transversal aos três segmentos, continua a exercer pressão sobre preços e rendas, podendo limitar o acesso à habitação e condicionar a expansão de algumas atividades.
Ainda assim, a combinação de procura interna e internacional, aliada à perceção de Portugal como “porto seguro”, deverá sustentar o dinamismo do mercado ao longo de 2026, mesmo num contexto global incerto.
O imobiliário nacional entra assim no novo ano com fundamentos sólidos — mas também com a necessidade crescente de resposta do lado da oferta para garantir a sustentabilidade do seu crescimento.
Joaquim Cunha Reis, Investment & Hospitality Senior Consultant da Savills Portugal, conclui que “os indicadores operacionais registados em 2025 confirmam a solidez dos fundamentais do setor turístico, evidenciando níveis consistentes de ocupação e um crescimento sustentado do RevPAR, suportados por uma procura internacional diversificada. Neste contexto, e num enquadramento geopolítico global favorável a destinos considerados seguros, como Portugal, o país afirma-se
como um destino de eleição para investimento em 2026, tanto em mercados já consolidados como em localizações com potencial de reposicionamento e criação de valor acrescido.”
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