Bancos perdem terreno para fintechs e enfrentam perdas de seis biliões até 2030
Os bancos estão a perder terreno para as fintechs e concorrentes tecnológicos, podendo ver uma parte significativa das suas receitas desaparecer até ao final da década, conclui um estudo da Bain & Company.
“Esta erosão poderá representar uma perda global entre cinco e seis biliões de dólares até 2030, à medida que novos players digitais ganham escala, acesso a dados e proximidade ao cliente. No início dos anos 2000, os bancos incumbentes captavam mais de 95% das receitas nos seus mercados. Atualmente, esse valor ronda os 80% e poderá cair para cerca de 65% até ao final da década, refletindo uma transformação estrutural no setor”, revela o documento.
O estudo adianta que apesar do atual contexto de elevada rentabilidade a banca enfrenta uma “pressão crescente” de empresas tecnológicas que competem com modelos “mais ágeis e centrados” no cliente.
“Os resultados atuais da banca podem dar uma falsa sensação de segurança. A realidade é que o setor está a perder tereno de forma estrutural para concorrentes digitais, que operam com modelos mais ágeis e orientados para dados”, disse o partner da Bain & Company, Francisco Montenegro.
Esta pressão verifica-se em áreas como: gestão de património, pagamentos, crédito e mercado de capitais, impulsionada por tendências como IA agêntica, stablecoins, plataformas digitais e novas formas de financiamento.
A Bain & Company adianta que embora a banca “continue a desempenhar um papel central” no financiamento da economia, nos investimentos empresariais e na transição energética, estas mudanças tornam o setor “mais exposto a novos riscos e a uma concorrência cada vez mais fragmentada”.
Para dar resposta a este contexto o estudo recomenda que os CEO da banca tradicional se concentrem em seis principais áreas estratégicas, que permitirão antecipar desafios e reforçar a posição competitiva na próxima década, contribuindo assim para o crescimento e sucesso futuro: “Foco em áreas onde podem ser indispensáveis – A escala só é relevante quando gera vantagem competitiva. É preferível dominar áreas específicas – por produto, segmento ou geografia – do que ter presença dispersa sem liderança clara. Combinar escala com inovação permite maior eficiência e crescimento sustentável; Valorizar a confiança e lealdade dos clientes – Num mercado com muita escolha, falhas na experiência, falta de transparência ou problemas de segurança destroem rapidamente a confiança. Esta deve ser gerida como um ativo estratégico, com processos simples, preços claros, proteção contra fraude e personalização. A IA torna este tema ainda mais crítico; Promoção da auto-disrupção – A inovação deve ser rápida e contínua. Os bancos precisam de recuperar uma cultura ágil, onde testar e lançar soluções em poucos meses é a norma. Isto implica também ajustar competências, sobretudo em áreas como dados, IA e tecnologia.
Entre as recomendações estão ainda: “Orquestrar o ecossistema – Parceiros podem evoluir para concorrentes. É essencial definir onde colaborar, competir ou liderar, e estruturar parcerias que permitam criar e capturar valor ao longo da cadeia; Modernizar o modelo de negócio – Mais do que atualizar sistemas, é necessário reinventar o negócio com base em dados e novas tecnologias. O uso inteligente de dados e IA pode criar experiências diferenciadoras e vantagens difíceis de replicar; Simplificar a organização para ganhar velocidade – Modelos operativos complexos atrasam decisões e execução. Reduzir burocracia, simplificar processos e alinhar incentivos com rapidez e qualidade é fundamental para acelerar a transformação”.
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