Tesouro norte-americano quer reunir com reguladores para discutir crise nos fundos de crédito
O Departamento do Tesouro norte-americano deve convocar nas próximas semanas a primeira de várias reuniões com reguladores de seguros sobre os desenvolvimentos que têm ocorrido nos mercados de crédito, avançou na segunda-feira a agência noticiosa Reuters, citando duas fontes conhecedoras do processo.
Isto sucede-se numa altura em que várias gestoras de ativos têm limitado o resgate de dinheiro por parte dos seus investidores em fundos de crédito privado.
A Ares Management confirmou que iria limitar a 5% os pedidos de resgate no seu fundo de crédito (Ares Strategic Income Fund), que está avaliado em 22,7 mil milhões de dólares (19,5 mil milhões de euros à taxa de câmbio atual) quando recebeu pedidos que atingiam os 11,6%, no trimestre.
A Apollo limitou também a 5% os pedidos de resgate do fundo de crédito Apollo Debt Solutions, avaliado em 25 mil milhões de dólares (21,5 mil milhões de euros), quando recebeu pedidos de levantamento, no trimestre, de 11,2%.
O principal fundo de crédito da Blackstone (BCRED) após ter tido tido pedidos de levantamento de 3,7 mil milhões de dólares (3,1 mil milhões de euros) levantou o limite de resgate de fundos de 5% para 7%. O BCRED está avaliado em 82 mil milhões de dólares (70,7 mil milhões de euros).
A Blue Owl anunciou, em fevereiro, que iria vender 1,4 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) em ativos de três dos seus fundos de crédito de modo a poder devolver dinheiro aos investidores e também para amortizar dívida.
E a BlackRock limitou a 5% o limite de resgaste de um dos seus fundos de crédito (HPS Corporate Lending Fund), após pedidos de resgate avaliados em 1,2 mil milhões de dólares (mil milhões de euros), no primeiro trimestre, o equivalente a 9,3% do total do fundo.
Administração norte-americana tinha planos desde janeiro para consultas com reguladores
A Reuters adianta que o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, tinha planos, desde janeiro, para iniciar consultas regulares e contínuas com os reguladores de seguros no segundo trimestre deste ano. A primeira reunião deve acontecer esta quarta-feira, de acordo com as fontes consultadas pela agência noticiosa.
Face ao saído destas reuniões podem ser tomadas medidas que visem melhorar a supervisão sobre os credores de fundos de crédito.
BCE pede informação a bancos sobre exposição a empréstimos privados
O Banco Central Europeu (BCE) vai voltar a pedir, este ano, aos bancos informações sobre a sua exposição a empréstimos privados, após a insolvência de duas empresas americanas, anunciou a 25 de março o supervisor.
O BCE pediu, pela primeira vez, estas informações em 2024 e manteve esta prática desde então.
Esta preocupação surgiu após as empresas americanas de créditos privados Tricolor Holdings e First Brands Group terem entrado, no ano passado, em colapso.
O vice-presidente do BCE, Luis de Guindos, já tinha afirmado, em conferência de imprensa, que a exposição da Europa ao crédito e aos mercados privados “é muito mais limitada do que nos Estados Unidos”.
Os principais problemas neste setor, de acordo com de Luis de Guindos, são a opacidade, a falta de transparência e as “dificuldades em determinar o valor dos ativos detidos nas suas carteiras”.
Nos seus balanços de 2024, os maiores bancos da zona euro tinham 5.700 milhões de euros em empréstimos a empresas.
A exposição dos bancos aos mercados privados pode criar riscos de solvabilidade e liquidez.
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