Mercados recuperam, apesar de o conflito no Médio Oriente persistir
Numa semana mais curta, devido ao fecho dos mercados na Sexta-Feira Santa (3 de abril), os mercados acionistas recuperaram e o ouro retomou as subidas, impulsionados em parte pela descida dos rendimentos do Tesouro entre 10 e 20 pontos base, apesar do agravamento dos preços do petróleo nos EUA, enquanto o Brent, principal referência para a Europa, permaneceu praticamente inalterado.
No plano macroeconómico, a semana ficou marcada por sinais globalmente mistos, mas que evidenciam uma relativa resiliência da economia norte-americana. O ISM industrial de março surpreendeu positivamente, ao subir acima do esperado, sinalizando expansão da atividade e reforçando a ideia de que o setor industrial dos EUA continua a mostrar capacidade de resistência. Todavia, ao nível dos subíndices, os preços pagos revelaram uma subida acentuada, alcançando níveis elevados, reavivando preocupações inflacionistas e dificultando a trajetória de descida das taxas por parte da Reserva Federal. Atualmente, o mercado monetário não antecipa qualquer alteração nas taxas de juro da Fed nos próximos 16 meses, até à reunião de 28 de julho de 2027, apontando para a manutenção no atual intervalo de 3,50% a 3,75%. Assim, nos EUA, o cenário de taxas de juro mais elevadas por mais tempo voltou a ganhar relevância.
Na China, os dados do Caixin PMI industrial confirmaram uma desaceleração do ritmo de crescimento, recuando face ao mês anterior e ficando abaixo das expectativas, embora se mantenham em território de expansão, sugerindo uma recuperação ainda frágil e desigual da economia chinesa. Se anteriormente as preocupações se centravam sobretudo na procura interna, este abrandamento, aliado a pressões persistentes nos custos, levanta agora dúvidas também quanto à robustez da procura externa.
Já na Europa, os dados macro apontaram para uma dinâmica igualmente mista. A inflação acelerou, impulsionada sobretudo pela componente energética, enquanto a inflação subjacente evidenciou moderação, e os indicadores de atividade, nomeadamente os PMI industriais, mostraram alguma melhoria e regresso a níveis de expansão, ainda que parcialmente condicionados por fatores relacionados com constrangimentos na oferta.
Ao nível empresarial, a Nike destacou-se pela negativa, registando uma queda acentuada após apresentar resultados que, embora tenham superado ligeiramente as expectativas no curto prazo, vieram acompanhados de um outlook claramente mais fraco. A empresa antecipou uma contração das vendas no atual trimestre e apontou para uma deterioração significativa no mercado chinês, um dos seus principais motores de crescimento, refletindo uma procura mais fraca e maior pressão competitiva.
Também no setor tecnológico europeu, a Nokia esteve pressionada, com o mercado a reagir negativamente a perspetivas de crescimento mais fracas e a um quadro ainda desafiante no investimento em infraestruturas de telecomunicações, num contexto de normalização da procura após o ciclo de investimento mais forte dos últimos anos. De forma mais transversal, várias empresas expostas ao consumo discricionário e ao ciclo global refletiram uma maior cautela nas suas perspetivas, em linha com os sinais de abrandamento vindos da China e com a incerteza quanto à evolução das taxas de juro. Em contraste, alguns setores mais defensivos e ligados a matérias-primas continuaram a beneficiar do cenário de preços energéticos mais elevados, ainda que com maior volatilidade.
Em suma, a semana reforçou a ideia de um quadro económico global ainda resiliente, mas com divergências entre regiões e com os riscos inflacionistas a regressarem, sobretudo num contexto de agravamento dos preços da energia, continuando, assim, a condicionar as expectativas de política monetária e o comportamento dos mercados. O risco de estagflação aumentou.
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