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Confiança do mercado na dívida de Moçambique no valor mais baixo desde 2023

Confiança do mercado na dívida de Moçambique no valor mais baixo desde 2023

Os juros exigidos pelos investidores para transacionarem a dívida pública de Moçambique subiram para o valor mais alto desde 2023, depois de o governo ter dado um sinal claro de que pretende reestruturar a dívida, noticia esta terça-feira a Bloomberg.
De acordo com a agência de informação financeira Bloomberg, o valor dos títulos da dívida de 900 milhões de dólares deste país lusófono africano com vencimento em 2031 caíram 3,6 cêntimos, para 72,98 cêntimos, o valor mais baixo desde junho de 2023, evidenciando a pouca confiança dos investidores na capacidade do país para honrar os compromissos financeiros.
Na semana passada, o governo afirmou que espera reestruturar a dívida pública e restabelecer a credibilidade nos mercados financeiros internacionais e com credores com a contratação dos consultores norte-americanos da Alvarez & Marsal, aguardando por “benefícios tangíveis e mensuráveis”.
Em comunicado divulgado no dia 2 de abril, o Ministério das Finanças adiantava que, com a contratação destes consultores, o Governo moçambicano projeta a “redução significativa do serviço da dívida” através de negociações estratégicas e restruturações, com poupanças estimadas que excederão largamente o custo da consultoria, além da melhoria do perfil de risco da carteira da dívida através de reperfilamento de maturidades e otimização de termos contratuais.
Na nota é referido que a consultoria deve resultar na “criação de espaço fiscal que permitirá ao Governo aumentar investimentos em setores prioritários como saúde, educação e infraestruturas, restabelecimento da credibilidade de Moçambique junto aos mercados financeiros internacionais e credores e fortalecimento da capacidade institucional do Ministério das Finanças na gestão autónoma e sustentável da dívida pública”.
Moçambique tinha uma dívida externa de 9,7 mil milhões de dólares (8,3 mil milhões de euros) no final do ano passado, nota a Bloomberg, citando o analista Leo Morawiecki, da Abrdn Investments.
Este analista diz que a reestruturação poderá configurar “algo como um prolongamento do prazo de maturidade” da dívida externa e comercial, uma vez que o país tem de começar a reembolsar as obrigações resgatáveis em 2028, apesar de as receitas fiscais esperadas da exploração de gás no norte do país só deverem começar a chegar em 2031.
No comunicado divulgado na semana passada, o governo refere que a contratação da Alvarez & Marçal decorre da situação atual da dívida pública, que “vem pressionando a despesa pública”, com o executivo a indicar que esta firma irá ajudar a resolver a “complexidade técnica e excecional dos desafios da dívida moçambicana”.
A contratação da consultora internacional foi feita por ajuste direto e visa a elaboração de um plano de reestruturação da dívida pública do país, “alinhado com objetivos do Governo de garantir a consolidação fiscal a curto e médio prazo”, mas também para “prestar apoio na elaboração da Estratégia da Dívida Pública 2026-2029”.
A Alvarez & Marsal, com sede em Nova Iorque e presença global, é descrita como uma empresa especialista na recuperação e melhoria de desempenho, com intervenções como no Lehman Brothers e Warnaco.
 O ‘stock’ da dívida pública moçambicana emitida internamente triplicou desde 2020, para os atuais 487.266 milhões de meticais (6.627 milhões de euros), valendo já quase 30% do Produto Interno Bruto (PIB), perante alertas do banco central.

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