Petróleo voltou a escalar com ameaças irracionais de Trump ao Irão. Bolsas europeias voltam a negociar
Depois de um fim de semana de Páscoa dramático para a guerra no Irão — com caças norte-americanos abatidos, um resgate ousado atrás das linhas inimigas e com perdas materiais, e os ataques a universidades e refinarias petroquímicas — os investidores hesitaram na abertura da sessão de Wall Street desta segunda-feira.
Esta terça-feira os investidores voltarão a monitorizar a escalada de tensão entre Donald Trump e o Irão. O petróleo poderá apresentar volatilidade.
A bolsa dos Estados Unidos abriu a sessão desta segunda-feira a subir depois de a Reuters ter avançado que estaria a ser negociado um cessar-fogo entre os EUA e o Irão, mediado pelo Paquistão. O “acordo de Islamabad”, como está a ser designado, implicaria um compromisso por parte do Irão de não desenvolver armas nucleares, em troca de uma redução das sanções internacionais. Esta foi apenas a mais recente tentativa de desescalada depois de durante o fim de semana prolongado, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar ataques de larga escala caso o Irão não aceite um cessar-fogo até terça-feira.
No entanto não durou muito a esperança pois Trump voltou a ameaçar Teerão, assinalando que “o país inteiro pode ser destruído apenas numa noite e isso pode acontecer amanhã à noite”, aludindo ao prazo dado – marcado para a 01h00 de quarta-feira (hora de Lisboa) – para a destruição das centrais energéticas e outras infraestruturas do país, caso o estreito de Ormuz não seja reaberto à navegação.
O discurso aconteceu depois de o Irão ter recusado a proposta de cessar-fogo de 45 dias apresentada pelos mediadores do conflito. Teerão considera-a “ilógica”, realçando que quer mesmo o fim definitivo da guerra e não “uma pausa”.
A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em junho terminou hoje no mercado de futuros de Londres em alta de 0,68%, para os 109,77 dólares. Também os futuros de petróleo WTI fecharam em alta, com a cotação situando-se em torno de 110,35 dólares por barril.
Isto apesar do aumento do tráfego de navios através do Estreito de Ormuz ter aliviado as preocupações quanto a perturbações imediatas no abastecimento global de petróleo e energia.
No entanto, os riscos de escalada permanecem elevados. O Irão ameaçou não só retaliar contra os aliados dos EUA em caso de um ataque, mas também o potencial encerramento do Estreito de Bab al-Mandab, perto do Golfo de Áden. Em conjunto com Ormuz, estas rotas representam cerca de 25% dos transportes globais de petróleo, lembra a corretora XTB.
Tanto o índice S&P como os preços do crude apresentaram pouca variação na abertura, e ambos registaram uma ligeira subida nas primeiras horas de negociação da manhã. O mercado, ao que parece, está de braços cruzados, aguardando o fim do prazo. Há mesmo um triplo impasse entre Trump, os iranianos e os mercados, cada um esperando que o outro ceda.
Um ano após o chamado Dia da Libertação, as tarifas dos EUA continuam a condicionar o mercado, agora pressionado pela guerra no Irão e pelo ressurgimento da inflação, explica Mauro Valle, responsável de obrigações da Generali AM. A viragem geopolítica deslocou o foco da desinflação para o risco energético, obrigando os bancos centrais a equilibrar inflação e crescimento num contexto de menor visibilidade.
O mercado obrigacionista está a incorporar um prémio de risco estruturalmente mais elevado, com a subida dos rendimentos nos EUA e na zona euro a forçar a Fed a manter as taxas inalteradas e a poder levar o BCE a novos aumentos para conter a inflação, acrescenta Mauro Valle.
O dólar mantém‑se estruturalmente fraco, pressionado pelos défices gémeos, pela geopolítica e pela fragmentação dos fluxos globais de capital, embora ainda se fortaleça de forma tática em episódios de forte aversão ao risco devido ao seu papel como ativo de liquidez.
Já o ouro manteve-se firme na segunda-feira, no meio da incerteza geopolítica. As tensões continuam elevadas após o ultimato do presidente Donald Trump.
Os sinais dos esforços diplomáticos alimentam as esperanças de uma resolução positiva da situação atual. Como resultado, o metal pode enfrentar alguma incerteza neste aspeto e reagir a qualquer desenvolvimento significativo.
No que toca ao calendário económico e indicadores. Os dados sobre as encomendas de Bens Duradouros nos EUA é o destaque do dia e espera-se uma queda de 1,0% (contra 0,0% anterior), o que servirá de termómetro para a atividade industrial e investimento empresarial nos EUA.
No emprego privado (ADP) serão divulgados dados semanais do ADP que oferecem uma visão atualizada do mercado laboral norte-americano antes dos relatórios oficiais.
No que toca ao crédito ao consumidor e encomendas às fábricas também estão agendados para hoje nos EUA, estes dados ajudam a medir a resiliência do consumo interno.
As bolsas europeias que esta segunda-feira estiveram fechadas, voltarão a negociar nesta terça-feira.
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