França reclama que o Líbano deve ser coberto pelo acordo de cessar-fogo
O cessar-fogo acordado entre o Irão e Estados Unidos deve abranger as ações militares no Líbano, disse o ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noel Barrot, acrescentando que a França condenou os ataques israelitas “massivos” realizados esta quarta-feira, já depois de o presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado a trégua de duas semanas.
Barrot acrescentou que espera que o Irão faça uma série de concessões como parte das negociações de paz que devem começar no Paquistão esta sexta-feira.
“O Irão deve abrir mão de ter armas nucleares e dos meios para a obter, deve deixar de usar mísseis e drones para ameaçar países da região e desistir de apoiar grupos como o Hezbollah, o Hamas e os Houthis, que desestabilizam a região”, disse em entrevista à Rádio France Inter.
O Irão deve ainda abrir o tráfego no Estreito de Ormuz, disse, dando voz a uma das determinações mais generalizadas entre a comunidade internacional. Para já, não é isso que está a acontecer: o regime de Teerão impõe a necessidade de conceder direito de passagem a todos os navios que quiserem transitar pelo Estreito, sob pena de, não o tendo, poderem ser alvo de ataque. Se a situação se mantiver, na prática nada muda em relação à crise energética que se instalou. Mas os analistas tendem a concordar em que o Irão não vai abrir mão da possibilidade de continuar a influenciar o andamento da guerra.
A irredutibilidade do Irão é acompanhada por uma posição idêntica de Israel: o Estado hebraico está a tomar mais território no sul do Líbano e prepara-se para um longo conflito no Oriente Médio. A criação de ‘zonas tampão’ em Gaza, na Síria e agora no Líbano reflete uma mudança estratégica após os ataques de 7 de outubro de 2023, que coloca o país em estado de guerra quase permanente.
A zona tampão no sul do Líbano deve ir, segundo Israel, até ao rio Litani – uma ampla faixa de terra que representa cerca de 8% do território libanês. Israel ordenou que centenas de milhares de moradores da região abandonasse o local. Em algumas aldeias libanesas próximas da fronteira com Israel, as tropas israelitas afirmam terem encontrado evidências de que quase 90% das casas têm armas ou equipamentos que as ligam ao Hezbollah – o que as transforma em posições militares inimigas que devem ser destruídas.
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