“É imprevisível”: Húngaros expressam incerteza perante “corrida renhida”
Eleitores húngaros que votaram hoje de manhã em Budapeste manifestavam incerteza quanto ao resultado das legislativas, antecipando uma “corrida renhida” entre os dois maiores partidos, Fidesz, do primeiro-ministro Viktor Orbán, e Tisza, do opositor Péter Magyar.
“Vai ser a eleição mais disputada e o resultado é imprevisível. Não sei o que vai acontecer, é imprevisível”, comentou Yonathan, 27 anos, depois de votar numa escola em Budapeste, na capital húngara.
As legislativas de hoje são as mais disputadas desde que o ultraconservador Viktor Orbán regressou ao poder, em 2010 – já tinha tido um mandato entre 1998 e 2002 -, com as sondagens a atribuírem a vitória ao líder da oposição, Péter Magyar, um dissidente do Fidesz que teve uma ascensão política meteórica em apenas dois anos.
Para o húngaro, “nunca houve uma oposição tão forte como agora”.
Zsofia, 25 anos, partilha a mesma dúvida: “Não sei mesmo, estão muito empatados”.
A jovem comentou que nunca se interessou muito pela política e esta foi a primeira vez que foi votar, porque “agora é mais importante”.
“Perguntei à minha família e amigos. Tudo está nas mãos de Deus”, disse, sem querer revelar qual o sentido do seu voto.
Outra jovem, Csok, 22 anos, deseja a vitória do Tisza e admite que, se Orbán for reeleito para um quinto mandato consecutivo, sairá do país.
“Para a Suécia ou Países Baixos, já falei sobre isso com o meu namorado”, afirmou, queixando-se que há quatro meses não consegue encontrar trabalho.
Se o Fidesz continuar no poder, a Hungria “vai sair da União Europeia e isso é muito mau”.
O primeiro-ministro húngaro, próximo de Moscovo, mantém há anos um braço de ferro com a UE, denunciando ingerência externas de Bruxelas e da Ucrânia, enquanto Magyar prometeu reaproximar Budapeste da UE e da NATO.
A preocupação com a relação de Budapeste com Bruxelas também está na mente de Zsuzsa, uma mãe de dois filhos com 44 anos.
“Espero que tudo mude, quero continuar na União Europeia”, disse.
O marido, János, 51 anos, aponta a situação “terrível da saúde e da educação” e as dificuldades económicas do país: “A economia não cresce, houve uma inflação grande nos últimos anos, há um problema sério de mão de obra porque os húngaros estão a deixar o país”.
“O próximo governo, qualquer que seja, terá uma situação muito difícil”, comentou.
Os húngaros estão hoje a acorrer às urnas com uma participação sem precedentes: pelas 13:00 locais (menos uma hora em Portugal), mais de metade (54,14%) dos cerca de oito milhões de eleitores já tinham votado.
Nas legislativas de 2022, até à mesma hora, tinham votado 40,01% dos eleitores, segundo dados oficiais.
As eleições de hoje vão escolher os 199 deputados do parlamento, num sistema eleitoral misto: 106 deputados são eleitos em círculos uninominais e 93 em listas de partidos nacionais. Nestas contas também entram os votos das minorias, particularmente alemães e roma.
Concorrem, além do Fidesz e do Tisza, o movimento Nossa Pátria (extrema-direita), o único outro partido que poderá entrar no parlamento, segundo as sondagens, que indicam também que a Coligação Democrática (centro-esquerda) e o Partido do Cão das Duas Caudas (esquerda liberal e ecologista) não devem atingir o limiar mínimo dos 5% para conseguir eleger deputados.
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