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Ativos sob gestão em infraestruturas privadas atingem 1,6 biliões de dólares no 1º semestre de 2025

Ativos sob gestão em infraestruturas privadas atingem 1,6 biliões de dólares no 1º semestre de 2025

O sector das infraestruturas privadas recuperou dinamismo em 2025, atingindo um novo máximo de 1,6 biliões de dólares em ativos sob gestão, o que representa cerca de 10% do total dos mercados privados.
Segundo o relatório “Infrastructure Strategy 2026: A Year of Increasing Scale and Diversification”, da Boston Consulting Group (BCG), a angariação de fundos neste segmento cresceu cerca de 60% face ao ano anterior, registando um novo recorde e recuperando mais rapidamente do que outras classes de ativos privados.
Os investidores institucionais injetaram 211 mil milhões de dólares em infraestruturas privadas ao longo de 2025 – o valor anual mais elevado de sempre. Este forte retorno de capital ocorre num contexto de maior concentração: quase três quartos do montante angariado foi canalizado para os 50 maiores fundos, com cerca de metade do total concentrada apenas nos cinco maiores gestores.
“Estamos a assistir a uma nova fase no investimento em infraestruturas, caracterizada por uma concentração crescente de capital em plataformas de grande escala e por uma exigência cada vez maior na criação de valor”, afirmou Carlos Elavai, Managing Director & Partner da BCG em Lisboa. “A velocidade tornou-se a competência chave: velocidade na promoção de novos projetos, na identificação de setores com maior potencial e na aquisição do expertise necessário”, acrescentou.
As estratégias core-plus e value-add representaram quase 70% dos novos fundos angariados, sinalizando que os investidores estão mais dispostos a assumir níveis moderados de risco em troca de retornos potencialmente mais elevados. Em contrapartida, os períodos médios de detenção dos ativos continuam a aumentar – nos 50 maiores fundos, subiram de 6,1 anos em 2021 para 7,6 anos em 2025 –, refletindo um ambiente de saídas mais desafiante.
Um dos destaques do relatório é o crescimento sustentado da infraestrutura digital, que representa já cerca de 20% das empresas em portfólio (face a 15% em 2020). Dentro deste segmento, os data centers concentraram 41% dos negócios realizados em 2025, um salto significativo face aos 26% registados no ano anterior.
A escassez de energia e os longos prazos de ligação às redes elétricas estão a condicionar o desenvolvimento de data centers nos principais mercados. Como resultado, a expansão está a deslocar-se para cidades de Tier 2 e Tier 3, além de projetos off-grid com produção própria de energia. Esta dinâmica está a reforçar a ligação entre infraestruturas digitais e o setor energético.
No setor de energia e ambiente, o número total de negócios aumentou de 176 para 207, mas a composição mudou de forma significativa. Os investimentos em energias renováveis caíram para apenas 22% dos negócios (face a 42% em 2024), pressionados pelo aumento de custos, pela redução dos preços de captura de energia e por alterações no quadro político e regulatório.
Em contrapartida, as atividades de processamento e distribuição passaram a representar 50% dos negócios, enquanto os serviços de energia convencional subiram para 18%. A crescente procura de eletricidade, impulsionada em grande parte pelos data centers, está a reforçar o interesse em energia convencional e em soluções energéticas integradas.
O relatório da BCG conclui que o investimento em infraestruturas privadas entra em 2026 com maior escala, maior concentração e uma clara diversificação de prioridades, onde a digitalização e os desafios energéticos assumem um papel central.
 

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