Conflito voltou a dominar a semana. Hoje as atenções nacionais estão na inflação
Os mercados voltaram da Páscoa para uma semana atribulada, com o conflito no Médio Oriente a ditar vitórias e perdas para as principais praças e para os preços do petróleo.
A semana que terminou esteve focada neste conflito, que iniciou um cessar-fogo de, supostamente, duas semanas, o que levou a que os mercados animassem e o preço do barril de petróleo descesse. Contudo, foi sol de pouca dura, uma vez que o Irão considerou que alguns pontos do acordo tinham sido violados e fechou outra vez o estreito de Ormuz.
“Depois de várias semanas em que a guerra entre EUA/Israel e o bloqueio do Estreito de Ormuz dominaram os preços dos ativos, o anúncio de um cessar-fogo ainda frágil e a perspetiva de novas conversações aliviaram parte do prémio de risco geopolítico”, referem os analistas da XTB.
“Ainda assim, o estreito continuou longe da normalização, com o tráfego marítimo muito abaixo do habitual, o que manteve os mercados extremamente sensíveis a qualquer novo desenvolvimento político ou militar”, apontam.
Ao longo da semana, o barril de Brent oscilou dentro dos 90 dólares, o que é uma pequena ‘vitória’, uma vez que já não se encontra acima dos 100 dólares, mas ainda se mantém em valores bastante superiores face aos registados antes do conflito.
“Saiu algum pânico do mercado, mas não desapareceu o risco: os investidores continuam a assumir que basta algumas alterações nas negociações para o petróleo voltar a ganhar tração rapidamente”, alertam os analistas.
Para os analistas esta semana pode ser dominada por vários indicadores, desde a inflação em Portugal, na Zona Euro, pelo conflito bélico entre o Irão e os Estados Unidos e pelo arranque da época de resultados.
Os analistas salientam que o “conflito está a perder o ímpeto nos mercados financeiros depois das tréguas entre ambos os países, mas qualquer novo desenvolvimento em relação a uma paz duradoura ou aumento dos conflitos terão impacto direto sobre o preço dos ativos, uma vez que a incerteza permanece e novos desenvolvimentos serão incorporados de forma sensível”.
Esta semana, a atenção vai estar centrada “se vai haver mais condicionamentos no Golfo Pérsico, ou se a paz será para ficar, com a normalização da travessia pelo Estreito de Ormuz”, aponta.
Hoje é conhecida a inflação nacional de março, tendo a estimativa rápida do INE mostrado uma aceleração da inflação homóloga para 2,7%, impulsionada pelos preços dos combustíveis. “Esta leitura final será importante para perceber se a pressão inflacionista foi pontual ou se começa a desenhar um padrão menos benigno para os próximos meses”, afirmam os analistas da XTB.
“Para os mercados, um número confirmado em níveis mais altos poderá reforçar a ideia de que a desinflação está a perder ritmo, com impacto potencial nas yields e na sensibilidade dos ativos domésticos à trajetória das taxas na Europa”, referem.
Arrancam hoje, também, os resultados, com os bancos a serem os primeiros a fazerem as suas apresentações. O Goldman Sachs apresenta hoje, enquanto a JPMorgan e a Citi apresentam na terça. Já na quarta é a vez da Morgan Stanley e o Bank of America.
Segundo os analistas, este “bloco será decisivo para perceber o estado do crédito, a evolução das margens financeiras, a atividade em mercados de capitais e o tom das administrações sobre consumo, investimento e risco macro. Como costuma acontecer, os bancos vão ajudar a definir o sentimento inicial da earnings season”.
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