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Empresas que ignorem integração total da IA arriscam perder competitividade, alerta Deloitte

Empresas que ignorem integração total da IA arriscam perder competitividade, alerta Deloitte

As organizações que não integrarem a inteligência artificial (IA) no núcleo das suas operações correm o risco sério de ficar para trás. Um novo estudo da Deloitte revela que a pressão para escalar estas tecnologias deixou de ser uma opção para se tornar um imperativo de sobrevivência num mercado global moldado pela inovação constante.
O estudo defende que os líderes empresariais estão a ser desafiados a ir além dos projetos-piloto e a integrar a IA nas decisões fundamentais e na estratégia de negócio. Esta transformação exige o redesenho dos processos centrais e dos modelos operacionais com IA, garantindo que as capacidades humanas são valorizadas e potenciadas, em vez de simplesmente automatizadas.
Se, por um lado, há uma clara aceleração na utilização de tecnologias emergentes por parte das organizações, existe ainda uma lacuna entre a fase de experimentação e uma verdadeira transformação empresarial. A maioria das organizações estão sobretudo a utilizar a IA para impulsionar a eficiência e redefinir algumas tarefas. Ainda assim, o estudo mostra que algumas organizações estão a olhar para esta fase como critica e a redefinir os modelos de negócio, funções e formas de trabalhar.
Estas são algumas das conclusões da edição de 2026 do estudo “The State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge”, que capta um momento decisivo na vida das organizações.
Hervé Silva, Partner de AI & Data da Deloitte, está convicto de que “este é um tipping point para as organizações definirem a forma como querem atuar no futuro. Mais do que adotar tecnologia, algo que na generalidade todas têm vindo a fazer, estamos a olhar para uma verdadeira integração de fundo da IA no coração das operações, que permitirá transformar por completo a forma como utilizam estas tecnologias em prol do seu negócio”.
“Os dados deste ano mostram claramente a urgência de passar a uma fase de implementação em escala, não descurando naturalmente as
questões da regulação e governance, dois pontos que vão permitir garantir uma utilização responsável destas tecnologias. Se as organizações forem capazes de olhar para a IA com uma visão de longo prazo, estaremos não só a transformar o futuro do trabalho, mas a criar um valor
inestimável para as organizações e para a sociedade de forma mais abragente”.
Cerca de um terço (33%) dos inquiridos consideram que a IA já está a transformar substancialmente a sua organização e o seu setor, e 27% acreditam que tal vá acontecer dentro de menos de um ano, e outros 27% num espaço entre um a três anos.
Por outro lado, 40% dos inquiridos consideram a hipótese de que as ferramentas de IA usadas pela organização se tornem obsoletas nos próximos dois anos, o que demonstra a necessidade de constante adaptação por parte das empresas para garantir relevância e competitividade, segundo o estudo.
A Era dos Agentes Autónomos (Agentic AI)
O relatório destaca uma mudança de paradigma: a transição de ferramentas passivas para agentes de IA (Agentic AI). A adoção está a acelerar rapidamente, com 75% das organizações a planearem implementar agentes autónomos nos próximos dois anos. No entanto, este avanço exige mais do que tecnologia; os líderes terão de redesenhar fluxos de trabalho e modelos de governance para permitir que sistemas autónomos operem de forma eficaz e segura.
No entanto, apenas 21% afirmam ter modelos de governance maduros para estes agentes autónomos. As organizações mais bem-sucedidas estão a adotar abordagens faseadas, começando por casos de uso de baixo risco e escalando de forma deliberada, reforçando a governação como catalisador de crescimento responsável.
Segundo o estudo, Portugal acompanha a tendência internacional de crescente interesse na Agentic AI. No entanto, apenas uma minoria reporta possuir modelos de governação maduros para estes agentes e a maior parte das organizações encontra-se ainda numa fase inicial de definição de políticas, supervisão e controlo.
Em concreto, 40% das empresas portuguesas não registam qualquer tipo de uso de Agentic AI; 27% reportam uma utilização mínima e outras 27% fazem já uma utilização moderada desta tecnologia. Como perspetiva para o futuro, 47% dos inquiridos prevê que a a Agentic AI venha
a impactar profundamente a sua organização e setor nos próximos três anos.
O estudo destaca ainda que a base das empresas já está a mudar de baixo para cima. Atualmente, 60% dos trabalhadores utilizam ferramentas de IA autorizadas pelas suas chefias, o que representa um aumento fulgurante de 50% num único ano. Este dado demonstra que a familiaridade com a tecnologia está a vencer a resistência inicial, colocando o foco na necessidade de estratégias corporativas robustas.
A importância do controlo e da autonomia tecnológica também ganha terreno. De acordo com o estudo 83% das empresas consideram a IA soberana (o controlo sobre os próprios dados e infraestrutura de IA) como moderadamente importante para o seu planeamento estratégico.
43% já a classificam como uma prioridade muito ou extremamente importante.
Para os especialistas da Deloitte, o desafio atual dos gestores passa por abandonar os pequenos projetos experimentais e integrar a IA nas decisões fundamentais de negócio. O sucesso dependerá da capacidade de transformar modelos operacionais tradicionais em ecossistemas ágeis, onde a colaboração entre humanos e si.
O State of AI aponta ainda a falta de competências dos colaboradores como o principal entrave à integração da inteligência artificial nas empresas. Como consequência, a maioria das organizações tem dado prioridade à formação em IA, deixando para segundo plano o redesenho dos modelos de trabalho com base nesta tecnologia.
“Apesar do aumento da experimentação, a passagem de pilotos para produção continua a ser um dos principais desafios. Apenas 25% das organizações inquiridas conseguiram colocar 40% ou mais dos seus pilotos de IA em produção, embora exista otimismo, com mais de metade (54%) a esperar atingir esse patamar nos próximos três a seis meses. Neste sentido, a definição e comunicação de uma estratégia clara surge como um fator crítico para reduzir a chamada ‘fadiga de pilotos’ e acelerar a criação de valor”, segundo o estudo.
De acordo com o estudo, a IA está já a permitir aumentar a produtividade da maioria das organizações. Ainda assim, apenas 34% dos líderes afirmam estar a utilizar a IA para transformar profundamente os seus modelos de negócio. Igualmente, embora 25% dos inquiridos considerem que a IA já tem um impacto transformador nas suas empresas (mais do dobro face ao ano anterior), apenas 30% estão a redesenhar processos fundamentais com base na tecnologia, enquanto 37% admitem utilizá-la de forma superficial, com pouca ou nenhuma alteração aos processos de negócio existentes.
Ainda segundo o estudo, o verdadeiro potencial da IA reside na sua capacidade de criar diferenciação estratégica e vantagem competitiva duradoura, indo além da otimização incremental do que já existe, o que exige repensar não apenas processos, mas também o trabalho e os modelos operacionais.
A edição de 2026 do estudo “State of AI in the Enterprise: The Untapped Edge” baseia-se num inquérito realizado entre agosto e setembro de 2025 a 3.235 líderes empresariais e de IT de 24 países, incluindo Portugal, e em entrevistas a executivos e responsáveis de IA e ciência de dados de grandes organizações, em diferentes setores e geografias. Todas as empresas participantes têm pelo menos uma implementação de IA em funcionamento diário e/ou projetos-piloto ativos.
A edição deste ano do estudo inclui, pela primeira vez, respostas de 15 empresas portuguesas.

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